Querida leitora de WMulher estamos publicando o segundo artigo de uma série de três, analisando um livro de fundamental importância para o conhecimento econômico e social do Brasil: "Formação econômica do Brasil contemporâneo de Caio Prado Júnior"
Condicionantes da obra
O autor da obra Formação econômica do Brasil contemporâneo parte da análise de três séculos de história e, fundamentado naqueles acontecimentos, elabora processos complexos que, na maior parte dos casos, são apenas expressões externas de um interesse maior e global, portanto reação a uma ação maior e determinada. Se por um lado ele apresenta uma síntese de trezentos anos - passando os acontecimentos principais em forma de síntese - por outro lado, constitui a chave para interpretar o processo histórico posterior: a atualidade. Desta forma os elementos organizados e acumulados desde o início da colonização se fundem na análise do autor. Fica claro que não é por causa de um modelo de subordinação colonial a razão histórica do status atual, mas sim o conjunto de atores em sua totalidade com seus aspectos econômicos, sociais e políticos.
Após a leitura do texto fica-nos a impressão de que os aspectos colocados formam não um processo do passado, mas um processo histórico que se prolonga até nossos dias e que ainda não está terminado.
No aspecto econômico, o autor coloca que o caráter fundamental de nossa economia é a produção de excedente para a exportação e da falta de mercado interno estratificado e sólido que condiciona nossa existência a uma subordinação externa não possibilitando nossa evolução de colônia para uma nação soberana.
Como um conjunto, a obra faz um balanço geral da colônia nos séculos passados, saindo desse período com a evolução colonial formada e constituída da qual os fatos futuros estão condicionados e determinados.
Formação do Brasil contemporâneo divide-se em três grandes tópicos: o povoamento (1), em que se vislumbra a questão do povoamento da terra e sua disposição geo-econômica no interior, as correntes de povoamento e as raças. A vida material (2) mostra-nos a economia, a grande lavoura, a agricultura de subsistência, a mineração, a pecuária, as produções extrativistas, as artes e indústria, o comércio, as vias de comunicação e transporte. Finalmente, na vida social (3) é nos apresentada a organização social, a administração, a vida social e política.
A história da colonização remete-nos ao problema clássico da nação destinada a suprir ao comércio europeu de alguns gêneros tropicais ou minerais de grande importância: açúcar, algodão, ouro, ... "commodities" em uma determinada época conforme a necessidade da economia das nações desenvolvidas. Toda a economia que fuja deste eixo exportador será desenvolvido apenas na medida da subsistência deste conjunto sócio-econômico. São três estes fatores, a mono cultura (1), a grande propriedade (2) que garanta a maximização do investimento e a mão de obra escrava (3) que vão determinar toda a ocupação do território nos séculos futuros.
Não é o colonizador que procura e se preocupa com as conseqüências de suas interações sociais e com o meio, mas aquele que visa o lucro da exploração e sua independência economia a ser realizada em outro cenário geopolítico, sendo este, ainda hoje, o modelo impetrado pelo estamento dominante.
Este aspecto não se observa só no Brasil, mas em todas as colônias em que o clima era propenso a este tipo de "grande exploração rural", isto é, a reunião em uma mesma unidade produtora grande número de indivíduos. A mineração, outra atividade da colônia adotará, afora a técnica empregada, a mesma forma de atuação da monocultura.
O extrativismo, terceira forma das "grandes atividades fundamentais da economia brasileira" é verificado quase que exclusivamente no vale do Amazonas e que embora não se identifique com base na propriedade territorial, organiza-se de forma diferente das anteriores. É uma atividade perene que se concentra na época da produção e, depois, se dispersa, mesmo aqui notamos a presença do senhor explorador ou comerciante fazendeiro que controla um enorme quadro de mão de obra servil.
Querida leitora de WMulher no próximo artigo a parte final desta análise.
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