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Trabalho & Companhia

Aprendendo a "trabalhar em equipe" com os esportes.
Data: 22/06/2000

Por: Lyanne Kosaka

Um dos grandes aprendizados que tive, ao longo da minha carreira desportiva, foi o de "trabalhar em equipe". Este termo, que já se tornou um jargão no mundo corporativo, é um do pré-requisitos mais valorizados pelos empregadores quando selecionam seus candidatos. Mas afinal, como funciona o trabalho em equipe nos esportes, e o que podemos aprender deles?

Uma modalidade que, na minha opinião, ilustra bem o sentido de equipe, é o voleibol. Como a bola deve ser mantida no ar o tempo inteiro (não podendo tocar o chão) e um atleta não pode tocar na bola por duas vezes seguidas, exige-se atenção e sincronia dos atletas durante o tempo todo. Diferente de outras modalidade como o futebol e o basquete, é muito difícil uma equipe vencer pela atuação brilhante de um único atleta. É preciso a soma de todos os esforços individuais.

Que lições podemos extrair do trabalho realizado pelas equipes de vôlei?


Os atletas não se limitam à sua função:
 
Apesar de cada um ter uma posição definida-atacante, meio-de-rede, levantador, líbero (o especialista em defesa)-isso não impede que um "socorra" o outro em situações difíceis. Numa determinada jogada, um atacante pode assumir o papel de levantador e vice-versa. (Aqui podemos ver na prática o que é um profissional "multi-funcional", tão cobiçado pelas empresas de hoje. É preciso dominar um determinado assunto ou segmento, mas a compreensão geral do todo e a capacidade de transitar por outras áreas sem traumas é também muito valorizada. Quem ganha com isso é a equipe, quero dizer, a empresa).

Todos lutam pelo mesmo objetivo:
Independente das diferenças, gostos e projetos pessoais, em quadra todos lutam para superar o adversário. O importante é alcançar um resultado positivo para o grupo; o restante fica em segundo plano. Cada um colabora para que os parceiros rendam ao máximo, pois a vitória é de todos.

Solidariedade:
Durante o jogo, em muitas ocasiões um tem que "dar cobertura" ao outro, que está mal-posicionado ou então foi pego de surpresa por uma jogada inesperada do adversário. Neste momento, não há espaço para críticas, mas sim de ação: aquele que está mais próximo do lance "cobre" a jogada e com isso os demais têm tempo de se preparar para a jogada seguinte.

Comunicação:
Cada equipe tem o seu código, gestos e sinais que são entendidos rapidamente por todos. Desta forma, todos sabem o que está ocorrendo no jogo, qual a próxima jogada, quem recebe a bola. Se durante uma jogada algo sair errado, alguém grita: "Deixa!", "Minha!", alertando os parceiros que assumirá o toque seguinte e fará a correção necessária.

Superação:
É incrível, mas a força do grupo pode produzir resultados maravilhosos, superando deficiências técnicas ou mesmo um erro tático. Isso que se chama: "jogar com o coração". Esse espírito só acontece quando o grupo é bem unido e os atletas querem dar o seu melhor para os próprios companheiros. Nessas horas, a superação acontece e o que vemos são verdadeiros "shows de bola".

Disciplina:
Tal como em uma empresa, a hierarquia e os horários existem para ser cumpridos. Uma equipe sem liderança ou horários não chega a lugar nenhum. Cumprir o horário é um ato de respeito não apenas consigo mesmo, mas para com o grupo também.

Em resumo, o que aprendemos é o seguinte: não adianta um atleta treinar sozinho, jogar 

bem e fazer maravilhas na quadra, pois o que importa é o rendimento do time. Deve-se deixar em segundo plano as metas pessoais (como ser o maior pontuador do jogo, por ex.), se isso não for melhor para o grupo. Para que o grupo obtenha êxito, as vaidades pessoais devemos ser postas de lado.

Acho que isso funciona não somente no esporte ou no trabalho, mas em nossas vidas como um todo.

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