A ideia de escrever sobre as diferenças e expectativas individuais surgiu quando, num grupo em que se discutia solidão, percebi que essa palavra tinha um sentido único e bem pessoal para cada uma das pessoas envolvidas.
Eram na sua maioria mulheres sozinhas, ou por viuvez ou por separação, que tinham uma ideia particular de suas faltas. Uma sentia falta do toque da mão que acariciava, outra das conversas que provavam a intimidade e outras ainda do embalo e do ritmo de quem sabia dançar junto e cujos passos se complementavam e outros apenas do encontro sexual do êxtase vivido numa relação sexual.
Na verdade falávamos de relacionamentos afetivos, amorosos, sexuais, perdas e desencontros.
Além desses aspectos, ficou muito visível que cada pessoa tem uma expectativa do que é felicidade e nem sempre consegue olhar para os outros aspectos conquistados como componentes indispensáveis.
Como a minha mente sempre voa - e esse é um mistério a ser desvendado, mas que gosto muito de ter - pensei em tantas diferenças individuais que são incompreendidas, pois temos como modelo ou máxima de que todas as pessoas são iguais.
Isso é verdade, como dizem as constituições dos países, nos direitos e deveres; mas na individualidade de seus desejos, acreditar nisso traz tanto desencontro.
Num programa semanal de TV de grande audiência aparece um caso de madrasta e enteada que não se entendem. Ouço os conselhos e as crenças de pessoas arrebanhadas para dar palpite nesse monstruoso e cruel reality show que as nossas vidas se tornaram, seja na moda ou em grande parte dos programas de televisão no Brasil. Quanta besteira se ouve e ditas com a pompa e circunstância de verdades absolutas!
Realmente filhos e madrastas ou padrastos