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Relacionamento

Emancipação feminina.
Data: 11/12/1999

Por: Maria Elizabeth Jereissati Ary

Durante longo tempo, as mulheres viveram comprimidas em seus espartilhos, por vezes amordaçadas e contidas.

Quando se submetiam a isto, eram consideradas respeitáveis, "mulheres de bem" - corretas; quando fugiam das coleiras que lhes eram impostas, eram tidas como "cortesãs" - mundanas marginalizadas.

Uma questão: - por que as mulheres deveriam ser, naquela época, tão contidas, seja por suas vestes, seja por suas atitudes recatadas e submissas ao domínio do homem ?

Numa sociedade patriarcal, onde o modelo masculino representava o poder, a imagem ideal a ser seguida, à mulher cabia apenas o lugar de um apêndice.

Um complemento do homem, figura incógnita, ela era e é muitas vezes ameaçadora .

Vejamos porque. Pela sua própria estrutura psico-física, a mulher é portadora de uma forma que é a que recebe, que contém, que engolfa, que alimenta, e isso dá medo ao outro. Além disso, a mulher é a única depositária de um grande valor, que é a capacidade de gerar um ser dentro de si, quando, neste processo, o homem é apenas um vetor.

De quantas amarras, a mulher teve que se livrar para chegar aonde está!

Sim, porque, numa cultura machista, a identidade da mulher se constitui numa relação onde ela vive em função da casa, marido e filhos.

As questões da alma feminina não podem ser tratadas tentando-se submetê-las ou esculpi-las de uma forma "mais adequada", para satisfazer a uma cultura - sociedade - inconsciente, que não se preocupa com a singularidade das pessoas. Não. Foi, justamente, a percepção desses fatos, que provocou a transformação de milhares de mulheres, que lutaram e se rebelaram com forças poderosas e naturais, como párias em sua própria sociedade.

Historicamente, a pílula anticoncepcional abriu as portas para uma revolução sexual, para flexibilização da moral e o ingresso da mulher no mercado de trabalho.

Evolutivamente, as conquistas de condições de igualdade, civil e jurídica, entre os sexos e a perda do medo da gravidez proporcionou mudanças importantes nas relações das mulheres, consigo mesmas e em relação ao mundo que as circunscreve.

Suas relações com os homens tornaram-se mais transparentes. Em função das mudanças conquistadas, dividir-se entre o casamento, o trabalho ou outras relações produtivas, requer da mulher, um grau de tolerância e harmonia interna muito grandes.

Pois, sua própria condição psicológica gera uma natureza psíquica própria, diferente da masculina, que a faz mais ligada à família e à casa e, portanto, mais disponível a um contato com seus sentimentos e sua interioridade.

A emancipação feminina foi uma conquista, porém, como disse anteriormente, requer da mulher "bem administrar" as angústias e a culpa, de ter que desdobrar-se em sua jornada dupla de trabalho, muitas vezes afastar-se de seus filhos.

Isto, sem contar que, nem sempre, seu companheiro está disposto a dividir com ela as funções que cabem a ambos. Poucas mulheres, encontram em seus companheiros, alguém com quem possam partilhar sua tarefas e responsabilidades. Por isto, muitas abrem mão da possibilidade de ter filhos, em função do êxito profissional.

É importante, que a mulher lute pela sua individualidade, autonomia e independência, desde que ela não sacrifique outros aspectos importantes de sua existência.

Desde que, ao desenvolver suas potencialidades, consiga manter sua harmonia interna, sua qualidade de vida e de relacionamentos afetivos.


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