8 de novembro de 2007. Teatro Municipal. São Paulo.
Entro no Teatro Municipal de São Paulo. Mostro o ingresso. Recebo um cartão chamado ONOCHORD e um saquinho com uma lanterninha. Acendo a lanterna. Com sua luz ilumino o cartão em que Yoko Ono de boné branco, vestida de preto, com óculos escuros espraia luz de uma lanterna em suas mãos. Em baixo uma frase: I LOVE YOU. Viro o cartão e leio: Envie a mensagem ONOCHORD: 'Eu te amo'
Piscando a luz repetidamente/ nas freqüências e durações/ requeridas para a mensagem:
Dos navios/ dos topos das montanhas/ dos edifícios/ usando edifícios inteiros/ na praça das cidades/ do céu/ e para o céu.
Continue enviando a mensagem/ até o fim do ano/ e além./ Continue enviando a mensagem/ a toda a parte da terra/ e ao universo./ Continue enviando.
Para indivíduos: envie a mensagem por escrito/ ou usando as lanternas/ ou com isqueiros.
A mensagem EU TE AMO/ Em ONOCHORD é:
Eu I
TE II
AMO III
Eu te amo!
yoko ono 2007
Nesse instante, passa na minha lembrança um verso de Ana Cristina César inscrito em um de seus poemas do seu livro A Teus Pés: "(...)Lâmpada para meus pés é a tua palavra. E luz para o meu caminho. Posso ouvir a voz..."
Adentro o saguão lotado do teatro. Tenho a honra do encontro com a nossa Thomie Othake (1913, Kyoto, Japão; naturalizada brasileira em 1968), a dama das artes plásticas brasileiras, discreta em sua magreza singela, de preto, com a bengala. Anônima na multidão, como convém aos mestres. A memória viva da arquitetura poética dessa senhora, misturada à multidão, percorre meu corpo e minha alma. Me faz sentir os destinos da história da cidade de São Paulo com sua presença nessa noite da performance de Yoko Ono.