Numa bola de cristal um casal cavalga: seus corpos estão mesclados com o do cavalo que parece voar. Este esboço escritural se remete a um dos novos trabalhos da artista plástica Celina Lima Verde. Título da obra: 'Sem Limites'. Este e outros trabalhos estarão numa coletiva Universo de Formas e Cores, no próximo dia 3 de novembro, Galeria de Artes Geraldes Silva- Porto-Portugal e, em Lisboa, em 6 de novembro, na Casa de Cultura da América Latina. Sob a curadoria de Maria dos Anjos Oliveira são trabalhos que dão continuidade ao intercâmbio Luso-Brasileiro de artistas que fazem parte do momento atual da arte brasileira. Artistas que marcam presença, nos encantam em Formas e Cores do universo de cada um.
Nessas mostras além-mar o 'Sem Limites' junto com o 'Limites da Paixão', a 'Rosa,Rosa', 'Verde Rosa', '`A Flor da Pele', Á Grande Viagem', 'Paixão de Outono' são títulos sugestivos das obras de Celina Lima Verde, uma mulher com a alma de desenhista e a habilidade de mesclar técnicas tanto sobre o papel como na tela. Muitos de seus trabalhos unem diversas formas de ver a mulher com toda sua carga de sensualidade muitas vezes numa leveza de pétalas de rosas. Outras vezes, na força do verde como no pequeno"quadro-oval"representando um espelho. Pétalas ou folhas verdes, como nesse quadro oval, intitulado 'Verde Rosa': nele, só metade do rosto de uma moça mostrando o nariz e a boca contempla uma rosa com bordas verdes & a palavra rosa rosa rosa está escrita, atrás da pintura de uma rosa desabrochada. Lembra a frase-poema de Gertrude Stein (1874/1946) Uma rosa é uma rosa que é uma rosa".
Em outro trabalho, Á Rosa, Rosa' desabrochada concentra a cor de outra pintura de Celina, chamada '`A Flor da Pele'. Outro, ainda é 'O Guardião da Rosa'-2007.
Tantas rosas só podem fazer aparecer uma obra como a 'A Grande Viagem', de 2002, para chegar em 'O Limite da Paixão'-2005.
Paixão poética lembra o poema de Octavio Paz (19914/1998-Prêmio Nobel de Literatura. !990), traduzido por Haroldo de Campos: 'Escrito com tinta verde'(...): Teu corpo se constela de signos verdes/ renovos meu corpo de árvore/ Não te importes tanta miúda cicatriz luminosa/ Olha o céu e sua verde tatuagem de estrelas'.
Celina Lima Verde pinta-desenha uma aragem em corpos que levitam luas e fixam como estrelas. Ecos que partem a galope. Decidem, às vezes, uma teia do destino de cada um. Limite da paixão & da técnica que vem desde sua infância em Fortaleza, Ceará, onde nasceu, em 1940. Vem muito das veias pernambucanas do Recife, para onde se transferiu com sua família, já em 1942 e, onde viveu/trabalhou até 1964.