A história de Ernesto Nazareth começa no dia 20 de março de 1863, quando nasce o pianista no morro do Nheco, no Rio de Janeiro. Filho do despachante aduaneiro Vasco Lourenço da Silva Nazareth, que não fazia muito gosto da opção de músico do filho. Mas sua mãe, Carolina Augusta da Cunha Nazareth, possuía um grande talento musical e foi a partir das aulas de piano lecionadas por ela ao filho, que começou a história de Nazareth com a música.
Aos dez anos, a sua mãe morreu e ele interrompeu seus estudos de piano. O talento do filho foi maior que o desejo do pai em vê-lo afastado do piano, então, Vasco Lourenço levou-o para ter aulas com um amigo da família. Com ele, aprendeu noções elementares de piano. Suas aulas duraram cerca de um ano, pois sempre foi autodidata. Foi este professor que o apresentou ao Arthur Napoleão, que editou suas polcas e ainda deixava Nazareth exibir suas obras na Loja do Editor.
Aos 14 anos, fez sua primeira composição. A polca-lundu "Você bem sabe" foi dedicada ao seu pai. Com o dinheiro de suas primeiras peças fez algumas aulas de aperfeiçoamento com o professor Lambert (conhecido como Papa Lambert).
Nazareth só compunha para piano e não gostava de sonatas ou outros gêneros eruditos. Assim, começou a transpor as características rítmico-melódicas dos conjuntos de choro da época para seu instrumento.
Aos 17 anos, em 1880, começou a participar de recitais ao lado de grandes nomes do choro. O primeiro deles foi ao lado de Viriato Figueira da Silva. Cada vez mais, o jovem Ernesto se vê fascinado pelo choro. A amizade de Ernesto com o pessoal do choro foi se tornando cada vez mais estreita. Em 1881, Viriato lançou uma polca chamada "Caiu, não disse?". No mesmo ano, Ernesto responde com a polca "Não caio Noutra". A partir daí, novas polcas aparecem. Entre elas estão: Beija-Flor (1884), A Fonte de Lambari (1887), Atrevidinha (1889), Eulinda (1893), Gentil (1898), Cuera (1913) e entre outras.
Aos 23 anos, Ernesto casou-se com Teodora Amália de Meires. Esta foi a sua inspiração para a valsa Dora. O jovem casal se mudou para São Cristóvão. Em 1887, nasceu a primeira filha deles: Eulinda. Um ano depois nasce o segundo filho, chamado Diniz.
O sucesso nacional e internacional de Nazareth chegou no ano de 1893, quando a Casa Vieira Machado lançou o tango Brejeiro. Este se tornou repertório da Banda da Guarda Republicana de Paris, além de gravá-la. Ao mesmo tempo em que este tango brasileiro repercutia no mundo inteiro, o Brasil começou a conhecer e a admirar mais o brasileiríssimo Nazareth. Logo depois, ele lançou o tango Nenê.
No começo do século XX, Nazareth compôs ainda mais, apesar de já possuir um bom repertório, lecionava aulas particulares de piano e a tocar em lojas de música. Em 1909, Nazareth passou a tocar na sala de espera do Cinema Odeon. Na época, o cinema ficava na esquina da Rua Sete de Setembro com a Avenida Central.
Enquanto o público esperava pelo início da sessão, apreciava Nazareth tocar seus grandes clássicos. Tanto era o sucesso da época, que o público chegava uma hora antes da sessão começar e tinham até os que iam somente para vê-lo tocar.
Em 1915, Nazareth compôs o tango "Apanhei-te Cavaquinho!". Apesar do nome, esta música não foi escrita para cavaquinho e sim, para piano. Nela, o compositor utilizou as notas mais agudas do piano para reproduzir o som do cavaquinho. Entre 1917 e 18, Nazareth voltou a tocar no cinema Odeon e aos com 55 anos foi trabalhar na Casa Carlos Gomes, que foi criada por Eduardo Souto e Roberto Donati.