desde 1998                                  Informativo WMulher
::  Home
::  Beleza
::  Celebridades
::  Comportamento Social
::  Dieta & Boa Forma
::  Esotérico
::  Família
::  Lar Doce Lar
::  Moda
::  Mulheres em Destaque
::  Periscópio
::  Poesia & Companhia
::  Receitas
::  Relacionamento
::  Saúde
::  Sexo
::  Trabalho & Companhia
::  Viagem & Companhia
::  Boletim WMulher
 
Quem somos
Fale conosco
Anúncio

Poesia & Companhia

O choro - A primeira música urbana do Brasil
Data: 14/10/2005

Por: Mariana Sayad

O choro é o nosso assunto inicial, afinal, ele é o primeiro gênero musical urbano, que surgiu em meados do século XIX. Alguns pesquisadores colocam como marco o ano de 1845, quando a polca chegou aos salões do país. Esta é uma dança européia, que nasceu da Boêmia, mas logo se espalhou por todo o continente europeu. A sua principal característica é o seu ritmo sincopado (saltitante) - elemento que o choro se apropriou.

 

Mas não foi só a polca que originou o choro brasileiro. Um gênero africano também está presente nas influências do nosso chorinho, chamado lundu, que veio junto com os escravos africanos. A sua chegada em terras brasileiras foi antes de 1780, pois neste ano houve uma denúncia ao Tribunal de Inquisição em Lisboa em relação ao lundu no Brasil. Os denunciadores relataram que a dança era contra os preceitos religiosos da época. Só depois de esclarecido que esta dança nada tinha de religiosa, é que foi liberada novamente.

 

Podemos dizer resumidamente que os pais do choro são a polca e o lundu. O cruzamento dos dois aconteceu nas ruas do Rio de Janeiro, quando os músicos das orquestras se encontravam com ex-escravos para tocar músicas dos salões com um "jeitinho brasileiro".

 

Antes de virar um estilo de música, o choro era uma maneira de tocar as músicas européias. Tanto é que só ganhou um nome quando foram introduzidos os instrumentos melódicos que, deram um aspecto melancólico ao estilo.

 

Ainda no século XIX, surgiram grandes nomes do gênero, como Chiquinha Gonzaga, Callado, Saturnino, Patápio Silva, Viriato Figueira da Silva, Henrique Alves de Mesquita, Ernesto Nazareth, Candinho do Trombone, Quincas Laranjeiras, Cipriano e muitos outros grandes nomes do choro.

 

Joaquim Antônio da Silva Callado Jr.

 

O compositor e flautista Joaquim Antônio da Silva Callado Jr. foi o criador do primeiro grupo de choro. Callado, como era conhecido, nasceu dia 11 de julho de 1848 no Rio de Janeiro.

 

Callado começou a ter aulas com seu pai, que era mestre da Banda Sociedade União de Artista, mas logo iniciou seus estudos em composição e regência com Henrique Alves de Mesquita. Em 1867, Callado lançou seu primeiro sucesso: uma quadrilha chamada "Carnaval de 1867".  No mesmo dia do lançamento, 19 de junho, seu pai faleceu de endocardite aos 52 anos.

 

No dia 13 de janeiro de 1869, a sua primeira polca foi publicada, chamada "Querida por todos", dedicada à Chiquinha Gonzaga. Em 1873, Callado compôs  "Lundu Característico", que foi o primeiro lundu apresentado num concerto. Este fez tanto sucesso que ele foi nomeado para a cadeira de flauta do Império no Conservatório de Música. Em 1875, foram publicadas as polcas "Como é bom" e "Cruzes, minha prima!".

 

Neste mesmo período, Callado criou o primeiro grupo de choro. Inicialmente composto por dois violões, uma flauta e um cavaquinho. O grupo começou adotando a polca-de-serenata, que trazia passagens modulantes em ritmo acelerado. No começo, o choro possuía improvisações, em que os violões criavam o ambiente para a flauta solar e o cavaquinho fazia um papel intermediário entre eles.

 

Callado foi parceiro de Viriato Figueira da Silva, Ismael Correia, Lequinho e outros chorões. Era amigo do compositor de modinhas Chiquinho Albuquerque e do flautista belga Matheus André Reichert, que D. Pedro II contratou para animar os Saraus do Paço em 1859.

 

Em 1879, Callado recebeu a mais alta condecoração do Império: A Ordem da Rosa. No dia 20 de março de 1880, ele faleceu de meningo-encefalite perniciosa.

 

Depois de onze dias, foi colocada à venda sua última composição, a polca "A Flor Amorosa". No dia 17 de dezembro de 1883, alguns músicos organizaram um festival e com a renda construíram um único mausoléu no cemitério de São Francisco Xavier para unir os restos mortais de Callado e Viriato Figueira da Silva, que faleceu em 1883. A transferência dos restos foi realizada no dia 27 de julho de 1885.


Versão de impressão Envie para um amigo

  Patricía Belotti
  :: Cinema: Animação não é coisa de criança!
:: Cinema: Como tudo começou
   
  Mariana Sayad
  :: Dê Paquetá para todo o Brasil
:: "A verdadeira encarnação da alma brasileira", Villa-Lobos
:: Chiquinha Gonzaga - Querida por todos
:: O choro - A primeira música urbana do Brasil
   
  Ivana de Arruda Leite
  :: Leitura: Caro Daniel
:: Leitura: Foda-se meu bem
:: Leitura: Você me ama?
:: Leitura: Ano Novo
   
  Maria Luiza Falcão
  :: Crônica: Biscoiitos
:: Poesia: Estrelas da Terra
:: Ao Ouvinte
:: C.A.M.
   
  Paula Valéria
  :: Poesia: A Vida ao relento na Vila (*)
:: Poesia: As esquinas do meu mundo giram num segundo
:: Poesia: Mirar Miró
:: Calado poema do pio
   
  Luiz Panhoca
  :: Estudos do futuro.
:: O que li nas férias.
:: Poesia: O que eu quero neste natal
   
  Diversos
  :: Poesia: Saudades do meu amor
:: Poesia
:: Poesia: Hoje
:: Natal
   
  Walnei Arenque
  :: Poesia: Separação
:: Porque amo você?
   
  Jeanette Rozsas
  :: Conto: Contaminação
:: Conto: Futurismo
:: Conto: O homem da casa*
:: Conto: Bem-te-vi
   
  Roberta Hesse
  :: A Cinderela Chinesa
:: Festa do Peão de Bragança uma verdadeira festa!
:: Reporter Teen: Aerosmith está chegando
   
  Isabel C. S. Vargas
  :: Depressão na Terceira Idade
:: Entre as nuvens
:: A importância da espiritualidade e religiosidade na vida das pessoas
:: Só mesmo Drummond...
   
  Malu Mussi
  :: Perdão
:: Medo
:: Paixão
:: Arrogância
   
  Regina S. Cunha Lima
  :: Uma voz canta a cidade de São Paulo- Adoniran Barbosa
:: Flamenco: a força da paixão das Espanhas agora no planeta
:: * Performance* Uma Noite com Yoko
:: A poética visual de uma mulher chamada Celina Lima Verde
   
  Isis Valéria Gomes
  :: Livros on-line: As estruturas do amor
:: Livros On Line:  Amar ao próximo, uma questão de inteligência
:: Livros On Line: Brasil 500 ANOS - Parabéns pra você!!
:: Livros On Line: Esportes Radicais* Rali
   
  Redação
  :: Termina amanhã o prazo para inscrever filmes no BRAFFT - Festival de Cinema Brasileiro de Toronto.
:: Chocolate: manjar dos deuses
:: Especiarias de Páscoa
:: Especial Páscoa: Ovos e o coelho de páscoa - origem do costume
   
  Domitila Farina
  :: Ponte de luz Miguel Maniglia
:: Entrevista com Sérgio Sganzerlla.
:: Leitura: Steinbeck e o bem sucedido ataque eliotiano "ao inarticulado".
:: Leitura: O oxigênio da vida anda de calça curta e canivete no bolso.
   
  Jair Neto
  :: Annie Leibovitz e a Célebre Fotografia
:: Damas do cinema brasileiro.
:: Tizuka Yamazaki - Uma Artista Versátil
   
  Marcelo Aith
  :: Lygia Fagundes Telles
:: "A mulher de 30 anos" As Balzaquianas
:: As mulheres de Bukowski
:: Todas elas são cariocas.
   



"As opiniões aqui expressadas pelos colaboradores são de inteira
responsabilidade dos mesmos."
[ WMulher © 1997-2013. Todos os direitos reservados. ]