Poesia: A Vida ao relento na Vila (*) Data: 12/11/2004 Por: Paula Valéria
A Vida ao relento na Vila (*)
Passarinho perdido,
ovo de Horacio.
Metafísica,
concreta solidão urbana
nesse palco iluminado
de postes e holofotes,
nas ruas de Pixote.
Sem árvore bacana
para fazer ninho num galho aconchegado,
como o natural esperado.
Aberração moderna
- quase humana -
enlouquece o bicho,
com barulho congestionado.
Sociedade insana,
o banaliza
a ponto de botar ovo
na esquadria fria
da jardineira de cimento
vazia,
onde o sol nasce quadrado.
A polpa da vida acontecendo,
pulsando,
correndo riscos
e dando seu recado.
Como um poema destinado.
Síndrome de sobrevivência ao relento,
de um rebento abandonado.
Insistindo na beleza de SER
e acontecer,
predestinado.
(*) Janela de um apartamento na Vila Madalena - Sao Paulo
@Paula Valeria Andrade - Setembro 2004
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