Em minhas férias fui chamado de "cartesiano" por uma amiga. Pejorativamente como é utilizado hoje, me levou a ocupar uma parte de minhas férias na "leitura de Descartes sem compromisso". Na verdade o que é ser "cartesiano"? O método cartesiano é um método dedutivo. Não é como hoje pejorativamente se fala mas a partir dele Descartes procurou a síntese da geometria com a álgebra, fazendo nascer a geometria analítica.
René Descartes nasceu em março de 1596 em La Haye, hoje La Haye-Descartes, França. Morreu em 11 de fevereiro de 1650, em Stokolm. Licenciado em direito na cidade de Poitiers em 1616. Sabe-se que retido pelo inverno de 1619 na cidade de Ulm escreve "em que, não encontrando conversação que o distraísse e não tendo, além disso, por felicidade, cuidados ou paixões que o preocupassem, ficava fechado durante todo o dia em um quarto bem aquecido, onde tinha todo o vagar para ocupar-se com os seus pensamentos" (Descartes, 1996, p.73).
Descartes concebeu o princípio da inércia, entendido como um movimento com velocidade constante em linha reta (Cindra, 1996).
No Discurso do Método (1996, p.77) Descartes propôs quatro preceitos para fundamentar um novo método filosófico:
1. Preceito da evidência e da clareza: Nunca aceitar por verdadeira, coisa nenhuma, que não conhecesse como evidente.
2. Preceito da análise: Dividir cada dificuldade em tantas parcelas quantas forem necessárias para melhor compreendê-las.
3. Preceito da ordenação do pensamento: procurar ir das coisas mais simples para as mais complexas.
4. Preceito da completeza: Fazer enumerações completas e gerais, de modo a nada omitir.
Naquela época Galileu havia sido condenado pela igreja o que o deixou extremamente "na moita" como se diz hoje ou, como dizia ele próprio, "bene vixit qui bene latuit" (bem viveu quem bem escondeu). Em decorrência destes acontecimentos seu "Tratado sobre o mundo" estava pronto para ser editado em 1633 e só o foi em 1644 depois da morte do autor.
A parte mais gratificante da leitura do Discurso é a quarta parte onde é formulada a dúvida metódica. Duvidar de tudo, até das demonstrações matemáticas, só aceitar o que fosse absolutamente claro e evidente. Este é o primeiro princípio que o levaria ao famoso "cogito ergo sum"