
Fonte:Galeria de Arte da Austrália
Seria difícil contar a História da Fotografia sem mencionar o nome de Annie Leibovitz; este, a princípio irreconhecível pela maioria das pessoas. Porém, se olhassem mais de perto, notariam que pelo menos alguma de suas fotos já foi vista por aí. Sim, como por exemplo aquela fotografia famosa (para citar a mais conhecida,
citar a mais conhecida, provavelmente), que mostra John Lennon, o ex-beatle, enroscado à sua mulher Yoko Ono, os dois, completamente nus, tirada algumas horas antes do assassinato do cantor. Ou mesmo outros retratos de celebridades como Patti Smith, Miles Davis, Jodie Foster, Pelé e tantos outros, que viriam a formar uma verdadeira constelação de estrelas no portfolio de Annie ao longo de sua carreira.
Americana, nascida como terceira filha de uma família de seis irmãos, foi aprimorando seu gosto pela fotografia através dos retratos que tirava de seus familiares. Leibovitz se apaixonaria pela arte alguns anos mais tarde, durante o tempo em que cursava pintura no San Francisco Art Institute. Ela viria a descobrir que a fotografia também era arte e que era possível viver deste ofício. Depois, Annie se deixaria influenciar por renomados profissionais do ramo como o fotógrafo Henri-Cartier Bresson e tantos outros expoentes da fotografia mundial.
No entanto, a primeira chance de sucesso veio através de sua participação, em 1970, num movimento pacifista, quando retratou o poeta Alan Ginsberg fumando maconha. A revista Rolling Stone fez de tudo para que Annie os vendesse a foto, o que serviu de gancho para que a moça fosse escalada para fazer fotos do mesmo John Lennon, a quem viria a fotografar, novamente, dez anos mais tarde. John Lennon se tornou também um grande responsável pela mudança na filosofia da fotógrafa, seus trabalhos passariam a ser colaborações.
Em seu meio, Annie Leibovitz desenvolveu técnicas até então não exploradas por seus colegas; a respeito disto, ela diz: "Quando estava na Rolling Stone, tentava me adaptar ao pensamento da revista, comecei então a desenvolver meu trabalho com uma iluminação mais elaborada. Eu sobre-expunha meus retratos, usava luzes fortes sem me importar se fosse dentro ou fora.
Eu comecei a misturar luzes de estrobo com luz natural, um efeito que hoje vejo muito nas revistas." Isso, junto ao fato de não dispor, geralmente, de muito tempo para conhecer o sujeito de seus retratos, ajudaram Annie a perceber mais suas personagens, de forma rápida, ou seja "tentar tirar as idéias das personagens, que é o que as torna válidas".
Mas agilidade não é o que conta a respeito do trabalho de Annie Leibovitz.
Sua capacidade de extrair momentos, de seus sujeitos, tão completos, a ponto de desvendarem toda a essência do retratado, constitui com certeza a beleza das fotos da artista. Mas Annie se auto-critica quando não consegue captar um certo brilho, muitas vezes imperceptível, particular a cada fotografado. No caso de Jodie Foster, Leibovitz diz que "ainda não conseguiu tirar sua melhor foto", e completa "mas aprendi que, quando se mostra algo, por mais que não seja o melhor, ainda é algo digno de ser visto".
As fotografias de Annie Leibovitz, desde sua série sobre celebridades, passando pelos anos de Rolling Stone e Vanity Fair, até seus retratos de atletas olímpicos desempenhando seus esportes, revelam uma artista preocupada, claramente, com a estética fotográfica enquanto arte, e seu trabalho pode ser descrito como o de uma amante da beleza e da inovação.
Seus ramos de influência atingem muitos dos jovens fotógrafos, que vêem em seu trabalho uma infinita fonte de idéias, estilos, novidades, verdade e magia; conceitos básicos porém importantes dentro da arte fotográfica.
A fotografia é a arte da visão, por isso, deve ser muito bem estudada para que se possa sempre captar aquele momento, aquele simples segundo ainda que mostrando sempre a real beleza do fotografado. A constância do trabalho de Annie, em produzir fotos tão reveladoras, porém reais, sem aquele toque super elaborado dos padrões Hollywoodianos, traduz o olho de uma artista única, que diz: "sempre que se fotografa algo, aprende-se alguma coisa nova", lição esta que deve ser seguida para a garantia de um trabalho sério e extraordinário.
Assim, podemos concluir que a obra de Annie Leibovitz é uma que deve ser conhecida, divulgada e admirada, por ser igualmente digna de ser reconhecida como, além de arte, parte da cultura universal, por trazer respostas tão positivas e enriquecedoras para a vida de seus admiradores.
Annie Leibovitz, Bibliografia:
Photographs Annie Leibovitz 1970-1990
Harper Collins Publishers,
ISBN 0060166088
Annie Leibovibovitz
Little, Brown and Company Inc.
ISBN 0821223666
Web Site Annie Leibovitz: http://fbox.vt.edu:10021/L/lnew/annie.html