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Poesia & Companhia

Livros on-line: As estruturas do amor
Data: 25/09/2000

Por: Isis Valéria Gomes

"Que seja eterno, enquanto dure....."
Vinícius de Moraes

O  amor é eterno?

Depende  de como você compreende a eternidade.

É possível explicar a eternidade  e defini-la através de várias ciências:

- A teológica, quando se quer racionalizar  a existência de Deus, com mecanismos  do pensamento humano.

- A  filosófica, se estamos buscando , na espiral do conhecimento   acumulado,  os sistemas que construíram os alicerces  do sentido da vida na Terra. São tantos. Todos os grandes pensadores são  perfeitos em suas teorias , que em algum momento serviu muito bem para justificar  o porquê da vida em determinado  momento, em determinado  lugar...

Mas nós queremos usar uma observação simples do princípio da biologia que todo mundo aprende na  escola, nas aulas de Ciências Naturais:

"Na natureza nada se perde, tudo se transforma..."

E é por isso que a eternidade  do amor sofre transformações em todos os seus segmentos.

Nós nascemos para  amar e sermos amados. Há toda uma anatomia  corporal para isso.

Durante muito tempo a sede do amor pareceu ser o coração.

Depois, foi a vez do cérebro, agora  ele parece residir na compatibilidade  hormonal, e a chamada flecha de cupido  não desapareceu, mas passou a justificar um sentimento de êxtase que  acontece  em determinados  encontros de homens e mulheres  através dos tempos.


É o famoso: - É ela! 

Ou: - É ele!

Todos nós sabemos quando  somos fisgados pelas emoções  da atração sexual.

Às vezes , este momento muda a nossa vida, outras vezes não.

A vida segue seu curso e ficamos com a impressão de que um pedaço de nós se foi.

Que perdemos a oportunidade de sermos felizes para sempre.

Para SEMPRE?

É um outro conceito muito relativo.

A felicidade é um sentimento da categoria  do que chamamos  eterno, e se este sentimento  é  eterno, é porque se renova, ou se transforma através dos tempos.

E vamos acumulando na memória  as sensações  de momentos felizes que nos serve de referência quando  passamos por fases que não são tão prazerosas.

Mas a história humana não é feita desse amor eterno por nós inventado. Primeiro na literatura, depois nos hábitos sociais que passaram a exigir a felicidade "até que a morte nos separe"...

E não é bem isso que se vê por aí, entre os amigos, vizinhos, colegas de trabalho e  até na ficção  das novelas, filmes e naturalmente, nos  livros de literatura.

As histórias de amor estão recheadas de insucessos e sofrimentos e até que tudo termine em um final feliz.

Quando existe este desfecho, há uma seqüência de frustrações que são contornadas para que a paz e a felicidade  tenham espaços maiores  na vida cotidiana  e um casal possa viver o seu romance.

É comum confundirmos a paixão com amor.

E eles não são sentimentos semelhantes.

As paixões são turbilhões que nos desequilibram  e talvez seja por isso que a palavra vem do grego e seu radical  está ligado a doença.

E o doente é o " paciente " palavra que a medicina  usa para definir quem perdeu a saúde.

Só que como também a paixão é eterna, ela se transforma. E o melhor que pode  nos acontecer  depois desta devastação é que o afeto tome o seu espaço.

Vivemos para o amor e construímos toda a vida em função do amor.

Mas poucos se aprofundaram  em nos oferecer uma reflexão mais séria sobre a suas estruturas.

HELEN FISHER, pH.D. em Antropologia, dedicou um bom tempo da sua vida a pesquisar as facetas do amor no mundo, através de várias sociedades  e escreveu:

"A ANATOMIA DO AMOR - A História Natural da Monogamia, do Adultério e do Divórcio".

Helen foi Pesquisadora Associada ao Museu Americano de História Natural de Nova York e é colaboradora  assídua do jornal "The New York Times" entre outras facetas da sua vida profissional.

O livro é o resultado do estudo de 62 culturas em seu passado e/ou presente.

E o melhor do trabalho, é por ser um livro fácil de ler. Agradável, bem humorado sem que isso comprometa o conteúdo  e que, ao final da última página você tem um sentimento de perda com aquele pensamento : - que pena, acabou...

É leitura indispensável para todos da família.

Um jovem de 16 anos vai adorar descobrir no primeiro capítulo" Os jogos de sedução - o namoro" ; um casal   vai descobrir muito  no capítulo  9

"A Rede da Sereia -A Evolução da Anatomia Sexual Humana" e o capítulo 15.". Até que a Morte nos Separe - O Surgimento do Padrão Duplo Ocidental".

E o melhor é ler lentamente, saboreando cada página e descobrindo que tudo que acontece nas nossas relações amorosas, na verdade, não acontece  somente conosco.

Há muito mais do que se imagina atrás das estruturas do amor.
Observe este trecho do livro (cap.8):

"Eros
A Emergência das Emoções Sexuais

Nunca somos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos - Sigmund Freud

Ver seu sorriso, ouvir sua voz, observar seu andar, recordar um momento encantador ou um comentário inteligente - a mais leve percepção  do ser amado  envia ao cérebro uma onda gigantesca de excitação."Este turbilhão, este delírio de Eros", escreveu o poeta Robert Lowell, um dos milhões, se não bilhões, de pessoas que experimentaram  a tempestade engolfante da paixão - reduzindo poetas e presidentes,acadêmicos e técnicos, ao mesmo estado confuso de expectativa, esperança , agonia e beatitude.

Depois, à medida que a paixão decresce, uma nova sensação  impregna a mente - o afeto.

Talvez este seja o mais esplêndido dos sentimentos - aquela sensação de satisfação, compartilhamento e identidade com o outro ser humano.

Quando andam juntos de mãos dadas, quando riem juntos no cinema ou passeiam em um parque ou na praia, suas almas estão amalgamadas. O mundo todo é seu paraíso".

Para saber mais leia :

"Anatomia do amor - A História Natural da monogamia, do adultério e do divórcio" de Helen Fisher, PHD.
Editora Eureka

- "Almas Gêmeas" - Aprendendo a Identificar o amor da sua vida" de Mônica Buonfiglio

-" Paixão - Força ,Beleza e perigo de um sentimento" de Maria do Carmo Ferrari Fagundes
Editora Gente

- "Sedução - O dom e a magia de seduzir" de Teca Jorge
Editora Gente

- " Viúva por um ano" de John Irving
Editora Record

Dica para quem lê espanhol :

"La Llama doble - Amor y Erotismo: la conexión íntima entre sexo, erotismo y amor, desde la memoria historia hasta la vida cotidiana más inmediata" de Octávio Paz
Editora Seix Barral S.A. (Barcelona , Espanha)Colección Biblioteca Breve
(Obra inédita no Brasil)


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