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Periscópio

Oh horror, até quando?
Data: 22/11/2007

Por: Flavia de Queiroz Hesse

Hoje a leitura dos jornais do dia foi duplamente assustadora e revoltante.

 

Eu não sei como é com você, mas fico revoltada quando leio noticias sobre a falta de dignidade com a qual ainda somos tratadas em pleno século 21, especialmente quando este descaso é institucional.

 

Foi impactante ler que uma jovem saudita, de 19 anos, além de ter sido estuprada 14 vezes por diversos homens, como se isto por si só não bastasse, foi condenada em seu país inicialmente a 100 chibatadas, posteriormente majoradas para 200 chibatadas e mais 6 meses de prisão, porque ela teve a coragem de apelar aos tribunais superiores locais.

 

O fato de recorrer ao Poder Judiciário de seu país fez com que em vez dos agressores serem punidos, ela, vitima de estupro coletivo, fosse ainda mais penalizada e desrespeitada, enquanto mulher e ser humano.

 

Porém, essas tragédias não se resumem aos países mulçumanos.

 

O que dizer do caso da garota L. do interior do Pará, que ficou presa em uma cela com 20 homens? Ela também foi regularmente abusada sexualmente por 15 dias!

 

Ontem nos jornais, o delegado e policiais argumentavam que era sabido na cidade que ela era prostituta que fazia programa por R$ 2,00!

 

Ora ser prostituta justifica a violência a ela imposta? Ser prostituta a torna um ser humano menor, com menos direitos do que os outros?

 

O terrível nesta história é que representantes de uma instituição do Estado julgam que sim e assim justificam tê-la trancafiado junto com um bando de homens!

 

Na realidade ainda não se sabe se L. é menor ou maior de idade, mas isso faz diferença ao horror a ela imposto? É relevante ela ser ou não prostituta? Isso diminui a ação e omissão escandalosa das autoridades policiais e do Ministério Público daquela cidade?


continuação
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