Margarida Cintra Gordinho
WM. - Como a senhora se tornou Diretora da ACAMLS?
Margarida - Fui convidada a integrar a Diretoria da Associação Cultural dos Amigos do Museu no final dos anos 80. Gostei de participar do apoio às atividades do Museu. Tornei-me presidente da ACAMLS em 94, em um contexto um pouco diferente. Com a reforma do Estado, na primeira gestão do governo FHC, os funcionários públicos que trabalhavam no Museu não puderam mais ser substituídos. A Associação passou a se responsabilizar pelo pagamento de um número crescente de funcionários. Assim, a captação de recursos se tornou vital para a sobrevivência da instituição.
| WM. - O Museu Lasar Segall se sustenta de que maneira? |
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Óleo sobre tela Rua - Lasar Segall |
Margarida - A Associação Cultural dos Amigos do Museu Lasar Segall tem 404 sócios que contribuem para pagar 14 funcionários e para possibilitar as atividades do Museu. Temos também um corpo de 4 funcionários que são importantes no apoio dessas atividades. A partir de 85, a Associação Cultural dos Amigos do Museu (ACAMLS) foi incorporada à Fundação Nacional de Patrimônio e Artes Plásticas do Ministério da Cultura, o que permitiu ampliar os projetos do Museu. Ele passou a receber subvenções da Secretaria da Cultura do Estado e da Funarte.O nosso objetivo é o de aumentar o número de associados com contribuições permanentes de pessoas físicas e jurídicas que têm benefícios fiscais. |
WM. - Em breves pinceladas, qual a história e como é o acervo do Museu Lasar Segall?
Margarida - Ele foi instalado em 67, na casa e no atelier do artista e tem a atmosfera inspiradora e a referência de um ambiente doméstico e de trabalho.Hoje, o acervo do museu conta com três mil obras de importância internacional. O projeto , concebido e desenvolvido por Maurício Segall (filho do pintor), evoluiu na forma ao longo do tempo, mas traz consigo uma proposta abrangente que envolve cinemateca, biblioteca e cursos. A biblioteca, por exemplo, tem cerca de 100 mil itens, é aberta ao público e especializada em teatro, cinema, fotografia, rádio e televisão. Voltando ao projeto do museu, um de seus objetivos é o de formar cidadãos e ser um centro de cultura que coloca a arte dentro do contexto social. Até 75 a família Segall responsabilizou-se pela instituição.
WM. - Quais as principais iniciativas do Museu?
Margarida - No ano passado destacamos a exposição Não faço nada sem alegria, a biblioteca indisciplinada de Guita e José Mindlin, que teve cerca de 3000 visitantes e foi exibida também no RJ com patrocínios do Minc, Bradesco, Visa e Giroflex.
Agora estamos com a Exposição Digital percorrendo cidades do interior de SP. Trata-se de uma seleção de pinturas e desenhos digitalizados, reproduzida em tela ou vídeo, fruto de parceria com a BBNet e a CPFL para divulgar a arte no interior. A resposta tem sido muito boa. A média por cidade é de 15.000 pessoas visitando a exposição que dura 15 dias.
No exterior, o trabalho do Museu Lasar Segall de montagem da exposição exibida até abril no recém inaugurado Musée de l'Árt et de l'Histoire du Judaisme teve excelente repercussão em Paris.