No mês do amor, entrevistamos dona Brasilina Grant Marzano, 84 anos, 54 de casada, seis filhos, quatro netos, 25 sobrinhos e muitos sobrinhos-netos. Todos muito amados e acolhidos pela carinhosamente apelidada D. Brasa.
"Na minha vida todos os dias tiveram agito", declara essa mulher de fibra, que conheceu o marido Pedro em uma festa. Desde a primeira saída em janeiro de 1954, o relacionamento "começou e não acabou até hoje, sempre com muita honestidade, falando tudo", conta sorrindo.
WM - É verdade que a senhora ia desistir do casamento?
D. Brasa - Eu não tinha idéia de me casar. Eu queria ter uma casa e ajudar minha mãe a cuidar dos irmãos menores. O Pedro não queria que eu trabalhasse, mas eu era arrimo de família. E não poderia casar e deixar para trás meus irmãos, porque eles precisavam de mim. Quando meu marido apareceu, ele deu um nó na minha cabeça e eu acabei casando. E nunca me arrependi.
WM - A senhora gosta de família grande?
D. Brasa - Eu tenho 13 irmãos: cinco da viúva do papai, seis do casamento dele com mamãe e dois do casamento de mamãe com meu padrasto. Comecei a ter filhos em 1956 e o último em 1968. Eu sempre quis ter cinco filhos. O sexto, tive por acaso e foi uma coisa maravilhosa na minha vida. Pena que ele ficou tão pouco. Deus o levou há dois anos e meio.
WM - Como a senhora convive com essa perda?
D. Brasa - A separação pela morte é uma coisa horrorosa, principalmente quando se trata de um filho. Não tem pior no mundo. Às vezes acho que ele vai chegar. Eu sei que não vai, mas a ilusão faz parte da vida. Tem dias que eu não quero aceitar. E olho para os que estão aqui. E você não pode ficar pensando nos que se foram quando Deus deixou tantos aqui.
WM - O amor faz toda a diferença...
D. Brasa - Amor existe de muitas maneiras: fraterno, materno, do seu companheiro... Agora, o amor é diferente em cada época da sua vida. Você não pode exigir que ele seja igual depois dos 50 anos. São maneiras mais doces de gostar. Eu sou contra amar loucamente e se arrebentar por causa disso.
O amor tem que ser doce, com muita compreensão e, quando isso não é possível, tem que tomar outro caminho. É bom lembrar: amor e carinho, venham de onde vierem, têm que ser recebidos de braços abertos. Porque não é qualquer pessoa que se dispõe a te dar as coisas. E eu tive a graça de receber amor e carinho muitas vezes.
WM - Uma família grande gera muitos desentendimentos?
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