5. Violência em sua cidade se combate como?
Resgatando a dignidade humana. Gerando emprego e renda, tirando as crianças das ruas, salvando os jovens da prostituição e das drogas com projetos criativos e simples e, principalmente, com a participação das pessoas. Para isso criei a secretaria de gestão participativa e cidadania. Eu sozinha não consigo resultados, mas junto com a sociedade poderemos transformar qualquer realidade.
Outra violência a ser combatida é a que fez de Boa Vista a segunda cidade brasileira mais violenta, onde mais morrem, no trânsito, jovens entre 15 e 25 anos. Para isso, estamos iniciando uma verdadeira cruzada pela educação de motoristas e pedestres. Contratamos Luiz Miura, que ajudou a humanizar o trânsito em Brasília.
6. E a crise social em que vivemos? Como prefeita, como pretende enfrentá-la?
Acredito na Administração Participativa. Não só no orçamento participativo, mas no planejamento e na execução. Creio que a discussão, a transparência na execução das obras e programas, a sensibilidade, o respeito à cidadania é o primeiro passo para enfrentarmos a crise social. Pretendo realizar um conjunto de ações 70% na área social para enfrentar a crise em que vivemos. Programas como Saúde em família, agricultura familiar, erradicação do trabalho infantil bem acompanhados. Implantar projetos criativos dentro da nossa realidade que de fato melhorem a qualidade de vida e mostrar ao cidadão que ele tem direito à cidadania. Trabalhando a cidade por inteiro e principalmente acreditando nisso e enfrentando as dificuldades que virão, teremos resultados.
7. Pela lei eleitoral 30% das candidatas às eleições para o Legislativo e Executivo deveriam ser mulheres De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral de Brasília, essa quota ainda não foi alcançada. Em 2000 o Brasil teve apenas 18.72 de candidatas mulheres. Como a senhora explica o baixo índice.
Explico: a política é extremamente machista. Quantas ministras têm hoje no governo? Quantas deputadas? Quantas senadoras? No executivo se torna ainda pior, quantas governadoras ou prefeitas? Na nossa história a mulher sempre atuou pouco dentro da política. Além do machismo, fazer política hoje significa lutar numa realidade onde as manchetes de corrupção e tantas coisas erradas são mais fortes que a ação positiva feita. As mulheres são mais exigentes quanto a isso. Outra coisa, o fato de se fazer política não torna mulher menos feminina. Hoje ainda, quando se vê uma mulher atuar na política, a discriminação é grande. Você não vai resolver uma participação maior das mulheres na política, através de uma lei eleitoral obrigando 30% das mulheres a concorrerem como candidatas, pelo contrário, vejo como discriminação. Para fazer política e sobreviver a ela precisa acreditar, ter ideal, e mudar uma realidade não é fácil. Mudar uma realidade política é infinitamente mais difícil. É sofrido!
8. A senhora está satisfeita com a taxa de remanejamento de verbas da prefeitura para sua gestão?
Nem um pouco. Como foi dito agora há pouco existe uma crise social, aqui não é diferente. É até mais difícil. Somos a capital mais distante do Brasil. Sou oposição ao governo estadual, a arrecadação própria é muito pequena, pois sofremos com a falta de apoio à iniciativa privada, nossa economia é frágil, faltam programas estaduais que possam fortalecer nossa economia. Portanto, muita criatividade, muitas visitas aos Ministérios em BSB, buscar muitas parcerias e procurar resolver os problemas de acordo com nossa realidade.
9. Quais as sua formações acadêmicas e profissionais?
Sou formada em Turismo pela Faculdade de Turismo do Morumbi-São Paulo. Trabalhei na área de publicidade muitos anos em BSB. Em 90 fui eleita deputada federal, em 92, eleita primeira vez prefeita de Boa Vista, em 98 candidata a governadora e agora prefeita novamente de Boa Vista, capital de Roraima.
10. Qual suas bases religiosa e espiritual?
Sou católica. Acredito piamente em Deus. Tenho como protetores Sto. Antônio e Santa Terezinha do Menino Jesus. Converso com Eles, me aconselho. Respeito todas as religiões, acho que como todo mundo, todos nós temos nosso jeito especial de comunicarmos com DEUS. Eu me considero bem íntima Dele.