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Laura Finocchiaro é compositora, cantora, produtora musical, DJ, guitarrista e violonista. E ainda, é considerada a pioneira em música eletrônica no Brasil. Quanta coisa não? Mas não termina por aí, porque foi ela quem fez a trilha sonora das três "Casa dos Artistas" do SBT e TV Colosso da Rede Globo. As suas composições já foram cantadas por Elza Soares, Cazuza, Ney Matogrosso e outros grande nomes da música brasileira.
Laura saiu do Rio Grande do Sul em 1993 e em 23 anos de carreira construiu uma história de talento e dedicação. Se você quiser saber mais sobre ela, acesse o site http://www2.uol.com.br/laurafinocchiaro ou se você estiver em São Paulo, ela fará um show no dia 08 de março no Centro Cultural Vergueiro.
WM - Como você descobriu que a mistura de música eletrônica e acústica poderia dar certo?
Laura - A minha descoberta começou em 1985. Na verdade, a minha formação começou com violão popular e depois fui para guitarra e assim começou o meu interesse por sons elétricos. Então descobri a bateria eletrônica e fiquei fascinada com variedade de timbres que se pode conseguir com ela. Fora isso, uma vantagem da música eletrônica é que eu podia trabalhar sozinha em casa, pois fazia tudo no meu computador.
WM - Como você começa a criação da trilha sonora de um Reality Show?
Laura - A Casa dos Artistas foi uma experiência maravilhosa, porque pude aplicar tudo o que eu aprendi. Foram três edições da "Casa", ou seja, trabalhei nove meses consecutivos. Eu criava e selecionava as músicas, as vinhetas e fazia os clipes que iam ao ar aos domingos. Além disso, tive a honra de trabalhar com o sonoplasta do Silvio Santos. Para se fazer uma trilha disso, eu uso muito a emoção, pois preciso colocar uma música que sonorize a imagem. Ela precisa tocar o telespectador e o ouvinte. Não consigo não me envolver com um trabalho desses.
WM - Os ritmos gaúchos fazem parte do seu processo criativo?
Laura - Considero todos os ritmos e não só os gaúchos. Faço muito Bootlegs que é misturar vários samples (fragmentos de ritmos, músicas e outros sons). Isso é uma tendência e a utilizo muito quando vou fazer trilhas para desfiles.
WM - O que é mais difícil em se trabalhar com música no Brasil?
Laura - A parte comercial, porque há muita corrupção, assim como em qualquer outro setor. Na música, o comercial sempre quer que você faça coisas para a massa. Eu não faço parte desta máquina, por uma questão de princípios. Procuro sempre passar o melhor para o público, mas o mercado sempre usa o talento das pessoas para o lucro.
WM - Com quem que você gostaria de realizar uma parceria musical?
Laura - Tive a honra de fazer uma música com o Tom Zé, então eu gostaria de gravar esta música e de realizar um trabalho legal com ele. Eu o admiro muito. Além dele, tem a minha "madrinha": Rita Lee. Toda vez que nos encontramos, marcamos de fazer algo juntas, só que nunca conseguimos. Gostaria também de trabalhar com o DJ Patife, com a Nação Zumbi - admiro muito o groove deles - e com o DJ Mau Mau.
WM - Quais são seus projetos futuros?
Laura - Lançar o meu novo CD que atualmente está na fase de pré-produção. Organizar toda a minha obra no mercado, pelo menos os três Cd's principais, porque quero me tornar mais visível para o público. Quero me dedicar mais ao 3º Setor. Atualmente, dou aula para uma pequena escola, chamada "Ginga Moleque" e trabalhei com "Arte Despertar". Fora isso, lancei um CD de Mantras. Essa área me faz muito bem, por isso quero me dedicar muito mais a ela porque desde que comecei a atuar em Ongs eu cresci muito como ser humano.
WM - Como é conciliar vida pessoal com a profissional?
Laura - Enquanto estava na "Casa dos Artistas" deixei minha carreira de cantora um pouco de lado, pois precisava de muita dedicação como produtora musical. Como não tenho filhos, as coisas ficam mais fáceis de conciliar. Eu tenho uma parceira, mas cada uma tem seu espaço e o seu tempo, porque a minha vida é dedicada ao trabalho.
WM - Você se sente realizada?
Laura - Muito. Eu fico muito feliz com a minha trajetória, porque sempre trabalhei muito pelas minhas coisas e quando olho para trás fico orgulhosa de tudo, principalmente por não ter me vendido para o lado comercial da música. Cada vez mais, me convenço que os meios muitas vezes são melhores do que o fim, porque você conhece pessoas maravilhosas e vive experiências super legais.
Às vezes, sinto uma tristeza como ser humano por toda essa degradação que existe. Eu tenho muitos questionamentos sobre isso e acabo ficando um pouco deprimida.
WM - Nas horas vagas, você tem algum hobby?
Laura - Ir à praia, de estar em contato com a natureza, fazer exercícios e Yôga. Não tenho uma prática regular, mas gosto muito de cuidar do meu corpo. Além disso, adoro cinema.
WM - Gostaria de deixar algum recado final?
Laura - Desejo muita paz interior, pois é isso que precisamos. Lembre-se sempre de respirar, de olhar as estrelas no céu e de respeitar o nosso planeta.
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