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Família

Na violência doméstica porque elas perdoam os homens
Data: 11/07/2007

Por: Eliane Alabe Padua

Estou no intervalo A violência doméstica e sexual contra a mulher é um problema de saúde pública, que durante muitos anos esteve  às margens da sociedade em diferentes culturas, sem uma preocupação das autoridades quanto  às causas determinantes e suas conseqüências físicas e psicológicas para a mulher e para a família.

 

A violência contra uma mulher começa na   relação de desigualdade sócio-cultural entre  homens e mulheres. A primeira manifestação dessa desigualdade   começa a se estabelecer  no desenvolvimento da  criança, ainda no útero materno. No momento em que os pais ficam sabendo qual o sexo da criança ainda na fase embrionária, se impõe a primeira diferença cultural entre os sexos e se estabelece o papel que cada um terá que cumprir no seu meio ambiente.

 

Se forem meninos, nossa cultura estabelece que deverão ser os provedores e, para isso, precisam  manifestar sua agressividade e virilidade através da força, do comportamento dominador, territorial, de conquista e de busca pelo  sexo. Se forem  meninas, ao contrário, serão o sexo frágil,  cumprirão  as funções de procriação, as maternas, de manutenção do lar e das relações familiares. Serão  submissas, expectadoras,  cabendo a elas a tarefa de compreender e perdoar. A religião terá papel importante e fortemente influente no comportamento da mulher  para manter um casamento promissor e indissolúvel.

 

Essa mesma sociedade que sufocou as mulheres por séculos, reprimindo toda forma de manifestação social, cultural e sexual,  vem mobilizando no Brasil,  desde a década de 70,  uma revolução sócio-cultural, política e econômica  que a passos lentos, vem estimulando as mulheres a começarem a quebrar tabus e a deixarem de ser a parte invisível da sociedade, denunciando qualquer forma de agressão imposta contra elas ou sua família.

 

Mesmo assim, as influências de fatores culturais e religiosos sobre elas e sobre a família estão presentes e são muito marcantes. Infringir normas e regras pré-estabelecidas pela educação e religião pode significar uma ruptura social e familiar muito mais penosa do que elas possam suportar. É muito duro enfrentar  o medo da culpa, do julgamento e a vergonha pela  quebra do vínculo conjugal.

 

Quando elas tomam a atitude da denúncia e da punição contra o parceiro violento, não o fazem tão somente convictas de seus direitos e sentimentos. Elas sentem-se muito mais culpadas do que vítimas, responsáveis por seu lar desfeito e desestruturado. A sociedade em que ela vive: seus amigos, familiares e a comunidade religiosa  a que pertence cobra delas a dissolução da família.

 

Muitas  preferem manter a família unida sufocando a dor da violência física e psicológica, com medo do mito de serem penalizadas por um mal muito maior, um castigo divino que as responsabilize pela desunião da família. 


continuação
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