Até muito pouco tempo atrás, uma mulher deprimida seria considerada como histérica (se tivesse explosões de mau humor), infeliz (se vivesse sempre triste), vagabunda (se não tivesse ânimo para produzir, trabalhar, realizar as tarefas do dia a dia), sem força de vontade (se não conseguisse emagrecer ou engordar), frígida (se não tivesse desejo sexual), neurótica e covarde (caso tivesse pensamentos suicidas).
Tudo o que está entre parênteses pode ser sintoma da doença depressão. Mas também pode não ser.
Para ser característico da doença, um (ou mais) sintoma desses deve perdurar por, no mínimo, algumas semanas e deve realmente atrapalhar o cotidiano da pessoa.
Tristezas e angústias passageiras não são depressão e, portanto, não devem ser medicadas.
Mas com 350 milhões de deprimidos vivendo na face do planeta e com a entrada dos modernos antidepressivos no mercado e na mídia, corre-se o risco de tratar medicamentosamente aquilo que não é doença e sim estado de espírito.
Recentemente, a ABRATA (Associação Brasileira dos Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) encomendou ao IBOPE uma pesquisa sobre a incidência de depressão na população paulistana. E mais uma vez constatou que a doença atinge muito mais as mulheres do que os homens.
É muito comum se imaginar que as mais velhas tenham mais depressão do que as jovens, por causa do climatério, da aposentadoria, da viuvez, da velhice e dos hormônios. A pesquisa mostrou que, em São Paulo, as mais jovens são mais deprimidas que as mais velhas.
Depois que se soube que a depressão pode ser tratada pela reposição de certas substâncias que "faltam" no cérebro dos deprimidos, começou-se também a atribuir a doença a causas puramente biológicas e, no caso das mulheres, à dança dos hormônios a que as fêmeas estão submetidas por toda a vida reprodutiva.
No entanto,