Outro dia recebi um e-mail de uma leitora. Foram poucas linhas, tão angustiadas, que me fizeram passar horas pensando no assunto. Queria dividi-lo com vocês:
Querida Fernanda,
É muito provável, quase certo, que eu tenha encontrado o homem da minha vida. Ele é responsável, bacana, trabalha feito um louco, me faz feliz quando estamos juntos, mas... Por que então ainda me sinto tão vazia, como se um buraco tomasse conta do meu coração, como se ainda faltasse alguma coisa entre nós dois? Por que ainda procuro o cara que, teoricamente, teria que dominar o meu coração e me fazer feliz para sempre?
Simples, querida amiga. É porque o homem da nossa vida real pouco se parece com o homem imaginário da nossa vida real. Complicado? Vamos direto ao assunto para ver se fica mais fácil de entender. Nos filmes das nossas vidas - já conversamos sobre isso em artigos anteriores - os homens são teoricamente imperfeitos (iguaizinhos aos da nossa vida real), só que até as suas imperfeições contribuem para que eles se transformem em caras perfeitos.
Em outras palavras, nós, mulheres que acreditamos no amor, freqüentemente montamos uma série de filminhos, de situações na nossa mente que deveriam, pelo menos, na teoria, se concretizar com o homem da nossa vida real. Mas essas situações são perfeitas para o homem imaginário da nossa vida real, e dificilmente vão acontecer com o nosso amor na mesma quantidade de vezes que ocorrem nos filminhos da nossa mente.
Para facilitar a compreensão, vamos a um exemplo prático:
· Situação: Você passou no trabalho dele para entregar uns papéis que ele esqueceu na sua casa e o encontrou com uma colega de trabalho (a la Angelina Jolie) tomando um café na lanchonete do prédio. Vocês discutem e você vai embora.
· Homem da nossa vida real : Fica três dias sem te dar um telefonema e, quando você entra no msn, ele se desconecta para deixar claro que achou sua atitude infantil e sem o menor nexo. Você acaba tendo que procurá-lo. Depois de um leve stress, vocês ficam bem.
· Homem imaginário da nossa vida real: A campainha toca, você abre a porta. Ele está com uma cara (irresistível) de bravo, vestindo sua camisa predileta. Você o convida para entrar e ele diz que não quer. Te explica que nada rolou entre ele e a garota, que te ama e que, se está com você, não é para passar tempo. Depois desse leve stress, vocês ficam bem.