"Determinação de um conjunto de procedimentos, de ações (por uma empresa, um órgão do governo etc.), visando a realização de determinado projeto; planificação". Essa é a definição do dicionário Houaiss da Língua Portuguesa para a palavra planejar. Quando alguém se propõe a fazer algo com um mínimo de seriedade, planejar se torna essencial. Quem pretende ver seus objetivos concretizados sabe que planejamento é fundamental. Por que então constantemente vemos exemplos de pessoas que preferem desprezar qualquer projeto e partir pra a ação pura e simples?
Há quem defenda que pouco adianta planejamento sem ação. Concordo, afinal, de medidas e projetos que nunca saíram do papel as instituições públicas estão abarrotadas. Tão ou mais desastroso é sair à caça sem traçar uma rota. Na ânsia de colocar em prática sonhos e vontades há muito tempo engavetados, muitos acabam pecando pelo excesso de "agilidade". Para ilustrar esses desagradáveis episódios a sabedoria popular não economizou em seus famosos ditos, tais como "colocar a carroça na frente dos bois", "apressado come cru", "meter os pés pelas mãos", "dar o passo maior do que a perna" ou "ir com muita sede ao pote".
Quem nunca sonhou em acordar e ver, simplesmente, seu mais acalentado desejo tornado realidade? Assim prontinho, tudo acontecendo, sem precisar subir degrau por degrau até chegar ao topo? Ah, é tudo o que se quer!
Acontece que sem um itinerário, com o trajeto bem definido, o ônibus não chega ao seu destino. O motorista pode saber dirigir tão bem como nenhum outro, passar horas e horas a se dedicar ao trabalho, mas não alcançará o lugar pretendido. Ele poderá se esquecer de pegar algum passageiro, ficar em dúvida se dobra à esquerda ou à direita, correr demais, colocando a vida dos passageiros em risco ou pisar tanto no freio que provoque um atraso. Tudo isso porque, embora saiba onde precisa chegar, ele não estudou o caminho, portanto não prevê que depois de tal esquina há uma ladeira ou que entrando em uma rua pouco conhecida ele diminuirá sensivelmente a distância que deve percorrer.
Por mais chato que possa parecer, um bom planejamento vale ouro. É como a empresa que produz seu "plano de negócios" ou o produtor que organiza seu evento com um "plano de ação". Não que eles estejam livres de todo e qualquer imprevisto. Independente do que se quer, o inesperado continua à solta e pode render "boas" surpresas. Acontece que essas pessoas estarão mais preparadas para mudar de rota, fazer um "pit stop" estratégico ou rever algum procedimento. Passada a tempestade, o plano é retomado com a eficiência de quem consegue encarar saias justas e seguir confiante.
No mundo atual, em que é comum precisar desempenhar mil tarefas e dar conta de diversos compromissos, mais do que nunca se tornou necessário organizar, planejar e agendar. Caso contrário, a não ser que você tenha um verdadeiro computador interno, o mais improvável é conseguir lembrar de tudo, encontrar telefones em pilhas de papéis sobre a mesa, resgatar arquivos em infinitas pastas no micro e finalizar o trabalho no prazo.
No calor das emoções, num impulso de entusiasmo, parte-se para a atividade. E, acreditando que o sucesso depende apenas do empenho e do esforço dispensados em uma empreitada, trabalha-se dia e noite. E a odisséia começa. São noites em claro, o dia vira noite e vice-versa, criam-se calos nas mãos e bolhas nos pés, come-se correndo. É tensão, dor de cabeça, de barriga, de panturrilha e até de cotovelo. É artrite, rinite, otite, todas as "ites" vêm à tona. O corpo pede arrego, mas a maratona continua e cada vez mais intensa.
Mesmo agindo dessa forma, são costumeiros os casos em que os devotos de Hércules não obtêm um resultado nem próximo do esperado. Isso porque o esforço por si só não gera frutos. Claro que esforço é importante, mas precisa estar aliado à visão. Daí a necessidade do planejamento. Ao se planejar, a pessoa se dá a chance de pensar sobre os seus pontos fortes e fracos. Assim, ela faz bom uso de suas qualidades e descobre onde precisa investir tempo e empenho - ou até mesmo chamar reforços alheios - para suprir suas deficiências e otimizar seu trabalho.
Mas essa maneira de se posicionar requer uma certa paciência até que os resultados sejam sentidos. É você quem escolhe. Fazer como políticos que constroem obras megalômanas, mas não combatem as necessidades mais básicas da população ou promover o seu próprio desenvolvimento sustentável.