Era o que muitos gostariam de ser: abonados, sadios, perspicazes, desprendidos, despudorados, admirados.
Na enxurrada ideológica de vencer profissionalmente, esqueceram de alerta-lo: ao menor sinal de desvio de rota, aperte o botão. Uma luz amarela indicará o momento de refletir.
Sem medo de seguir adiante, encarou os maiores obstáculos propostos, desafiou paradigmas e enfrentou "as grandes verdades do mercado".
Com o peito estufado, combatia os inimigos. Vencia-os todos.
Na contramão do sonho, um desalento.
Na face, faltava-lhe o sorriso. Na mente, positivismo. Acreditar em si é uma qualidade dos líderes.
Entretanto, o que ele queria era ser reconhecido como tal.
Por mais que se esforçasse para atingir suas metas, um eco dominava seu interior.
Não havia ninguém para reafirmar suas condições.
Aplausos não o preenchiam. Elogios pouco recheavam. Atitudes verdadeiramente espontâneas era o que o alimentava. Mas passava fome.
Foram dias e dias de lamentos. Períodos negros, cheios de dúvidas. As perguntas tomavam o escasso tempo.
Ele sabia o que queria. E mais. Sabia o que não queria.
Dentro de uma organização lhe deram poder, prestígio, ferramentas de ataque e defesa.
Mas havia uma lacuna interna.
Felicidade não vem descriminada no contra-cheque. E era isso que ele precisava para se sustentar.
Então, de súbito, decidiu virar a mesa.
Contra as regras estabelecidas lutou pela própria liberdade.
Buscou caminhos amenos e alegres.
Foi morar consigo mesmo.