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Valentina Caran

Empresária

Como muita determinação pode levar ao sucesso

Por: Domitila Farina

Ela nasceu no interior de São Paulo, em Monte Mor. Apesar de gostar de estudar, logo cedo, teve de trocar a escola pelo trabalho na lavoura. Mas isso  foi apenas um interregno na vida de Valentina Caran.  Aos 21 anos, veio para a capital paulista e começou a sua bem sucedida trajetória  profissional. Cerca de  vinte anos depois, seu nome virou sinônimo de bons negócios no setor imbobiliário com a empresa indo de vento em popa.

Objetiva,Valentina Caran diz que venceu graças a muito trabalho, ao seu profissionalismo e, acima de tudo, ouvindo e respeitando a  sua intuição feminina.

Mulher nenhuma é escrava de nada. O mais importante do visual é ela estar bem consigo mesma. Nada substitui uma personalidade forte, no vestir, na maneira de ser e de agir.”  - Valentina Caran 

1.Antes de se tornar empresária do setor imobiliário, a senhora trabalhava na agricultura. O que a  senhora fazia e como se deu essa mudança ?

R. Trabalhei na agricultura até os 21 anos de idade, na colheita de tomates. Levava uma vida bem simples, com muitas dificuldades. Até que um dia, com o apoio de meu pai, vim para São Paulo. Comecei vendendo coleções de livros para a Editora Abril, onde aprendi muito. Três anos depois, seguindo o conselho de um amigo, fui para o mercado imobiliário. Após dois anos, e muito trabalho, aluguei uma sala na Avenida Paulista e abri minha própria imobiliária. O começo foi difícil, mas daí em diante não parei mais.

2. Qual a sua naturalidade, formação acadêmica e idade?

R. Nasci em Monte Mor, no interior de São Paulo. Apesar de gostar muito de estudar, logo tive que trocar a escola pelo trabalho na roça. Portanto, eu costumo afirmar que freqüentei a Universidade da vida, que considero a maior de todas. Dotada de muita percepção, fui observando, assimilando, aprendendo. Aos poucos, fui me aprimorando, procurando, todos os dias, compensar a falta de estudos. Dessa maneira, fui agregando algo mais à minha personalidade, que hoje, aos 46 anos de idade, é minha marca.

3. Tanto na agricultura quanto no setor imobiliário, a senhora já passou por saia justa do preconceito de gênero, por ser mulher?

R. Não. Na agricultura, o importante é o desempenho da mão de obra. O que interessa ao patrão é a produção, portanto, não há tempo para preconceitos. No ramo imobiliário, quando se tem postura profissional, não importa de que sexo a pessoa é. O que importa é a personalidade.

4.Qual foi o segredo para a sua empresa se tornar uma das maiores do mercado?

R. Transparência, dedicação e muito trabalho.

5. Tem planos para atuar no Mercosul?

R. De imediato não, estou concentrada em meus negócios aqui no Brasil, sempre preocupada no melhor atendimento e na satisfação dos meus clientes. Trata-se de um trabalho muito personalizado, que exige muito a minha presença na direção dos negócios.

6. Sua opinião sobre a globalização e a onda de privatizações registrada no país?

R. Seria muito melhor que o Brasil tivesse menos necessidade de capital estrangeiro. No entanto, devo reconhecer que o capital oriundo das privatizações gera empregos, o que é fundamental para o crescimento de qualquer país.

7. Como anda o mercado imobiliário?  Final de ano é hora de vender ou comprar?

R. No final de ano, o mercado imobiliário sempre tende para desaquecimento. Em decorrência disso, é uma época melhor para quem compra do que para quem vende.

8. Algum plano especial de lazer para a virada do milênio?

R. Uma das minhas grandes características é não planejar. Fico muito envolvida com o trabalho, e  os meus negócios são imprevisíveis, portanto, vou resolver meus planos (para a virada do século) um ou dois dias antes.

9. Como a senhora concilia a correria da vida profissional com a sua vida privada?

R. Sou muito organizada, tenho uma boa equipe em casa. As minhas filhas estudam e têm suas ocupações diárias. Elas têm um grande respeito pelos meus horários, e acredito que o mais importante é o bom relacionamento que mantemos quando estamos juntas.

10. A senhora é casada, tem filhos? 

R. Sou casada e tenho seis filhas.

11.Quais suas preferências para os momentos de lazer? O que a faz relaxar do estresse diário?

R. Estresse não é o meu problema. Ficar com minhas filhas, participando dos papos e das brincadeiras delas, andar a cavalo no meu sítio em Indaiatuba, sempre com as meninas, é o meu maior lazer.

12. Qual o espaço da espiritualidade na vida da empresária Valentina Caran? Cuidados especiais para o corpo e cuca?

R. Sou católica, faço minhas orações. Não tenho nenhum cuidado especial com meu corpo, não faço ginástica, pois não tenho tempo para freqüentar academias. Minha única marca registrada é o batom, que eu adoro. Quanto à cuca, quem cuida  dela para mim é o meu trabalho e minhas filhas.

13. O lado social do Brasil, que anda mal das pernas, tem jeito? E a violência? Como tais problemas devem ser enfrentados?

R. Claro que tem jeito, com um pouco de boa vontade e muito trabalho. A violência só será resolvida através do trabalho, isto é, os infratores da lei deveriam cumprir penas em colônias agrícolas ou fábricas criadas para essa finalidade.

14. Quais seus planos para o próximo ano?

R.  Como já disse antes, eu não sou de fazer planos. Mas, como sou uma eterna esperançosa, quero ver esse país crescer muito. Eu pretendo fazer minha parte,  gerar empregos, continuar meu ritmo de crescimento trabalhando com empenho junto aos meus parceiros e funcionários. Quero fazer minha parte e torcer para que cada um faça a sua.

15. Como mulher bem sucedida profissionalmente, qual o pulo do gato para vencer obstáculos e matar um leão por dia, sem perder a suavidade e a intuição femininas?

R. Não existe pulo do gato. O que se deve fazer é matar dez leões todos os dias. Ninguém é ninguém só com um pulo. O importante é a persistência, a constância e a determinação. A mulher nunca perde a suavidade e a sua intuição é quase tudo, se não for tudo. Temos que  estar sempre atentos a ela.

16.Seu conselho para quem quer entrar para o ramo imobiliário e se dar bem.

R. Tirar o Creci, freqüentar cursos, procurar conhecer a fundo o mercado através de trabalho prático e, principalmente, correr atrás.

17. Para uns, a internet é ótima aliada ao nos fazer ganhar tempo. Para outros ela rouba nosso tempo. Na sua opinião, nossa qualidade de vida melhorou com a rede?

R.  A internet agilizou o mundo dos negócios. A informação é rápida, econômica e muito eficiente. O importante é usar essa ferramenta com sabedoria e não desvirtuar sua utilidade, correndo o risco de se tornar um escravo desse instrumento.

18. Com tanto  sucesso e espaço ganhos, hoje , a mulher já é vista    além de sua aparência ou ela continua escrava do fashion- e- cia.?

R. Mulher nenhuma é escrava de nada. O mais importante do visual é ela estar bem consigo mesma. Nada substitui uma personalidade forte, no vestir, na maneira de ser e de agir.

19. Quem, no Brasil, é digno de sua admiração?

R. Silvio Santos, Antônio Ermínio de Moraes, Mário Covas e outros.

20. Alguma mensagem para nossas internautas?

Senhores internautas: se falarmos em sucesso profissional, repito a minha frase de sempre: “Não existe mercado parado e sim pessoas paradas”. A Intuição é a grande aliada para qualquer profissional. Aprender a lidar com ela, seguir de maneira determinada, olhar sempre para frente ajuda a crescer interiormente. E, principalmente, nunca esquecer de confiar em DEUS.

Ivani Calarezi

 

Por: Paula Valéria

WMulher - Quando você iniciou a empresa e porque essa decisão?

R - Comecei em Junho de 1982. E a decisão de montar o meu próprio negócio é porque eu estava doida para trabalhar pela minha realização pessoal e independência financeira. Eu já era casada, com dois filhos e estava grávida do meu terceiro bebê - a minha filha – e decidi começar. Escolhi doces, porque era uma identificação pessoal.Eu gosto de cozinhar e principalmente doces.

Minha avó e minha mãe já trabalhavam naquela época e era inevitável no meu caso, que eu não seguisse o mesmo caminho delas.

WMulher – Então nos conte da sua relação com a sua mãe e com a sua avó.

R - Minha família sempre foi muito ligada as artes. Era algo bem valorizado lá em casa. Minha avó era modista, minha mãe era pianista. Eu também era pianista nesta época em que morava na minha cidade, Tupã, no interior de São Paulo. Para mim foi uma coisa tão automatizada querer uma carreira, pois você cresce no meio de um universo de mulheres que trabalham e um dia se dá conta de que na sua família algo é diferente das outras. E aí, é claro, você assimila. Quando eu cheguei aqui em São Paulo, e vi esta cidade deste tamanho, eu pensei comigo – aqui eu tenho tudo para fazer!
A partir daí eu dei aulas de música e depois tive o desejo de criar uma confecção de moda infantil, mas não fui adiante.
Quando eu já estava há 11 anos nesta metrópole, pensei em doces porque eu mesma era extremamente gulosa. Na época tinham poucas doceiras e quando eu ia e queria provar de tudo, eles só vendiam o bolo inteiro e não as fatias de cada sabor. Foi aí que eu pensei : “– Vou montar uma lojinha de doces como se fosse uma boutique! Com um outro sistema personalizado, de atendimento ao gosto do cliente.“

Então, o meu marido tinha uns amigos arquitetos e eu pedi para um deles desenvolver uma boutique de doces.

Na época as cores verde e rosa, eram muito ousadas, o padrão de docerias e rotisserie eram muito sóbrios e isto causava um contraste. As pessoas paravam para perguntar o que vendia naquela loja. São flores? Presentes? Roupa infantil? Era muito engraçado e bom.

Minha primeira loja foi construída pelo meu marido que depois fez - e faz até hoje - todas as outras, com o acompanhamento do arquiteto. Ela permanece lá até hoje no mesmo endereço : Rua da Consolação, 2828 , nos Jardins.

Depois crescemos muito a ponto de termos 40 lojas e hoje, o meu marido tornou-se meu sócio; além da minha sócia, a Silvana, que entrou após uns 3 anos do meu comércio estar funcionando.

WMulher – E sobre os seus filhos?

R - Tenho uma filha mais nova de 18 anos, que era o bebê que estava na barriga quando fundei a primeira loja. Ela chama-se Bruna e tem um bolo em homenagem a ela. Este bolo inclusive ganhou um prêmio há 10 anos atrás – “Uma das 50 delícias de São Paulo” da Revista Cláudia.

Também tenho dois filhos homens, um mais velho de 26 anos, o Rafael, que trabalha com a sua própria empresa de comércio exterior e o outro é o Thomáz de 23 anos, que trabalha com seguros.

WMulher – Como você vê o mercado de doces e franquias de alimentação no Brasil ? O que cresceu nestes últimos 18 anos e o que precisa avançar?

R - No início , não tinha muita concorrência no segmento que escolhi, pois ele era muito diferenciado nas receitas e na forma de vender. Para dizer a verdade, São Paulo era muito diferente, tinha apenas um shopping. Cada ponto novo de loja, era um novo bairro a ser conquistado. Cada novo shopping, era um novo ponto no mercado. E quando eu vi, estava com 20 lojas. Depois com 40.

A concorrência inevitavelmente chegou e acho saudável ela existir, pois com isso corremos atrás de manter o nosso lugar no mercado, avançando, crescendo e atendendo bem os nossos clientes.

WMulher – Foi difícil se impor na sua carreira?

R - Não. Eu tive uma iniciativa própria e não somente um emprego. Eu coloquei o meu lado sonhador e de fantasia para funcionar e acreditei nele. Trabalhei muito com amor e desenvolvi um lado de negócios muito pessoal.

WMulher – E sobre a Páscoa?

R - Acabei de terminar a produção interna dos produtos da Páscoa. Eu fechei tudo, como projeto, em outubro do ano passado. Já estou pensando na Páscoa do ano que vem e com isso estou embarcando de viagem para os E.U.A e Europa para ver o que está acontecendo por lá’. Paralelamente, já estamos pensando e elaborando o “Festival de Morango” (marca registrada Amor aos Pedaços), que está no seu 13. ano. Ele começa em Maio e vai até Setembro e em torno de 50% das nossas vitrines são trabalhadas com o tema morango. Aliás, o casamento da fruta morango com o chocolate nunca dá desquite e nem divórcio: é o ideal!

WMulher – Quais são as datas mais representativas para vocês trabalharem?

R - Como na indústria da moda, nós fechamos o nosso calendário com 04 estações, que não são as mesmas estações do tempo, mas sim as épocas dessas datas que comemoramos:

Páscoa
Festival de Morango (de Maio a Setembro)
Festival do Chocolate – Chocohits ( de Setembro até o fim de Novembro)
Natal

Teca Forjaz

Por: Domitila Farina

Esposa apaixonada, 4 vezes mãe, poetisa, empresária e psicóloga

“O PULO DE SHAKTI”

Shakti, a energia vital feminina, anima o princípio masculino, Shiva, que, por sua vez, estimula a ação no mundo”.
Clarissa Pinkola Estés

A autobiografia de Teca Forjaz começou a ser escrita para celebrar com os amigos seus 30 anos de casada.  O resultado ficou tão bom, que  virou livro. “O pulo da gata” (mais informaçõe sobre o livro no final da entrevista) foi publicado no ano passado.  Quem teve a oportunidade de ler as experiências da autora, compreende a verdade contida na frase de seu marido, ao referir-se  ela,  no prefácio da obra: “seu desejo e empenho a levarão para onde quiser”. Levarão, levam e levaram.

Sempre que alimentamos a alma, ela garante expansão”
C.P.Estés

Construindo a vida  com marido, seu namorado há trinta anos,  a empresária e psicóloga aproveitou  todo embalo do remar  contra a maré para criar forças e nadar rumo aos seus objetivos.  Nas suas manobras, nunca se esqueceu de aproveitar o momento presente  e agir movida a muito amor, tanto na família, quanto fora dela. Não  é à toa a exclamação de uma das vendedoras que estavam  sendo treinadas por Teca Forjaz, lá pelos idos de 80:  -“Olha dona, aqui a gente ganha pouco, mas se diverte tanto!”.

Hoje, celebrando bodas de lápis-lazuli, maravilhada com seus 4 filhos, dona de pousada e psicóloga clínica, nossa entrevistada se sente quase completa. O “quase” fica por conta do  novo desafio a ser descoberto amanhã... Teca Forjaz não tem fórmula mágica para tanto sucesso, mas sim prática coerente com os resultados alcançados. Como diria o anarquista Roberto Freire, ela sente desejo pela alegria, beleza pelo desejo e alegria pela beleza. Alinhavamos alguns princípios  dessa prática, que pode ser pressentida na entrevista ou   lida na íntegra em sua autobiografia.

1.      gostar de si e estar bem consigo mesma é a melhor higiene mental.
2.      amar sempre.
3.      topar desafios.
4.      dar boas-vindas a novos aprendizados.
5.      não ter vergonha de errar.
6.      ter paciência e arrumar tempo para vivenciar o presente.
7.      encarar mudanças como sendo algo positivo.
8.      ser otimista, empenhar-se nas ações e acreditar que tudo vai dar certo.
9.      não ficar se culpado quando as coisas saem erradas.
10.  fazer de tudo para não piorar uma situação fora de controle.

 

PERGUNTAS

1.  De vendedora de tupperware, se transformou na melhor distribuidora do produto em todo o mundo; virou empresária, dona de pousada; tem 4 filhos; passou por muitas, nem todas boas; mudou de estado quase que tantas vezes quanto de casa; formou-se em psicologia depois dos 50 anos. Tudo isso, sempre na maior alegria e entusiasmo. O que a motiva, qual o segredo de tanta força?

R: Aprendi, no meu Curso de Psicologia (  já na idade adulta) que nascemos com maior ou menor quantum de pulsão de vida. Sempre fiz uso, com muita vontade, desta parcela a mais com que fui premiada!

Gosto e acredito muito em mim, adoro desafios e não penso se vai dar certo ou não. Apenas faço e tem dado muito certo!

2. No seu livro, conta ter confundido  a menarca com um machucado. A senhora não acha que o ‘predador’, citado por Clarissa Pinkola Estés* (“Mulheres que correm com os lobos” – Editora. Rocco) invadiu  nossa cultura? Os ciclos femininos são desprezados, a figura da mulher distorcida, a idade condena, quase tudo vira pecado  e o sexo, quando não é tabu, recebe péssimo tratamento.

(*nota redação – Clarissa P. Estés é analista junguiana e doutora em estudos multiculturais e psicologia clínica pelo The Union Institute – EUA.  Excerto de seu livro – “Mulheres que correm com os lobos” – Ed. Rocco, aparece antes do prefácio do livro de Teca Forjaz.)

R: Quando eu menstruei, há 40 anos atrás, vários tabus rondavam as mulheres: menstruação, masturbação, virgindade, relações sexuais, mulheres desquitadas etc. Hoje, os tempos são outros.  Parece-me que, quando Clarissa Pinkola Estés fala do “predador” ela se refere à necessidade que nós mulheres temos de estar atentas aos nossos poderes instintivos. O mundo interno feminino é muito rico e devemos ter o cuidado de realimentá-lo. Lembre-se que logo que eu soube que tinha ficado menstruada, compreendi que poderia ser mãe. Farejei o predador.  As brincadeiras com os primos poderiam ser perigosas. Tinha que aprender a tomar mais conta de mim!

3. Como psicóloga e 4 x mãe, como encara a assertiva de Ashley Montagu (“Tocar”), segundo a qual a cesárea é uma violentação para mãe e filho, com sérias repercussões  psíquicas para o futuro do último? A senhora acredita que isso poderia explicar a benevolência e falta de agressividade do povo suíço? Naquele país, a cesárea é proibida, salvo em casos de risco de vida para mãe ou filho.

R: Tive três filhos de parto normal. Nunca pensei em tê-los de outra forma. Porém, com o meu quarto filho foi diferente. Possivelmente devido à situação em que eu me encontrava – fora de minha casa, do Estado em que eu morava e de passagem (tinha ido a São Paulo num dia para voltar no outro). Não consegui entrar em trabalho de parto normal. Meu neném já estava em sofrimento, me obrigando a entrar numa cesárea. Não gostei da experiência, chorei muito durante o parto. Não vejo razão para contrariar a natureza.  Apesar de ter tido um sofrimento psíquico durante o parto,  meu quarto filho foi sempre uma criança  tranqüila, um menino  calmo e hoje, um jovem adulto muito equilibrado.  Desconheço as características do povo suíço, portanto me abstenho de opinar.

4. Nossa cultura não valoriza a experiência da mulher madura. Haja vista a  rotineira passada a limpo no bisturi depois dos 30. Muitos e muitas consideram a menopausa o início do fim. Como o assunto é tratado na sua monografia de conclusão da Faculdade de Psicologia?

R: Nossa cultura não valoriza a experiência do mais velho, seja ele homem ou mulher.

Quanto à menopausa, senti na pele a falta de informação sobre este assunto. Por isso escolhi este tema como monografia. Consegui, através questionário, entrevistar 55 mulheres de diferentes Estados do Brasil: São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Concluí que a menopausa é ainda um tabu entre as mulheres. Talvez, comparável ao tabu da virgindade nos anos 60 e 70. Muitas mudanças corporais e psicológicas, como na adolescência. Porém, o sentimento de perda é mais profundo. Perde-se a capacidade de procriar e isto, ainda, está muito ligado à sexualidade da mulher. Está diretamente ligado ao assunto perda da juventude. É um tema delicado e instigante.

5. Quando era criança, o seu pai expulsou de casa o cachorrinho ao qual a senhora era muito apegada. Ao ter o seu primeiro filho, nem sabia quem seria o obstetra responsável pelo parto. Para citar apenas dois exemplos de situações que fariam desmontar qualquer criança ou mulher. Como tirou de letra essas e muitas outras sem choro, vela ou traumas?

R:  Fiquei muito chocada. Levei um bom tempo para ter outro cachorro.

Quanto a não saber quem seria o meu obstetra, não fiquei preocupada. Não sou chegada a pensar em tragédias, sempre acho que tudo irá dar certo. Naquela época, eu era muito jovem, pouco entendia de complicações que poderiam acontecer durante o parto, portanto, não fazia diferença conhecer ou não o médico, o menino iria nascer de qualquer jeito...

6. Quando grávida, sempre se sentiu poderosa. Qual sua mensagem para as gestantes que se sentem desengonçadas?

R: Na minha opinião, a gravidez, para ser curtida, tem que ter o apoio integral do pai. Meu marido me achava a mulher mais linda do mundo. Com o seu estímulo, as mudanças que aconteciam no meu corpo eram muito bem-vindas! Esse é um momento onde o homem tem que ser um companheiro e admirador incondicional!

7. No passado, a senhora chegou a dizer  “dinner is over” (acabou o jantar) para o jantar que acabava ir para a mesa. Depois, aprendeu tão bem a língua que chegou a negociar em inglês a venda da indústria de seu marido, sozinha. Trata-se de mais um de seus muitos  pulos felinos?

R: Sim.  Sabe, eu sou muito cara de pau. Não tenho vergonha de errar e adoro aprender. Sempre tive uma vontade louca de falar inglês por me considerar uma pessoa do mundo. Não foi fácil, mas consegui!

8. Mais de 30 anos casada e com amor indo de vento em popa, a ponto de seu marido aparecer nas suas aulas de faculdade para ficar flertando de longe. O mesmo marido que elogia (no prefácio de “O pulo da gata”)  suas meninice e intuição e  a paixão, respeito e cumplicidade que permeiam o seu casamento. Isso significa que a senhora nunca deixou que roubassem os seus sapatinhos vermelhos * (Clarissa Pinkola Estes)?

R: Não só nunca deixei que os roubassem como também encontrei alguém que sempre soube remendá-los quando necessário fosse.

*  “Para manter nossa alegria, às vezes temos de lutar por ela. Temos de nos fortalecer e ir fundo, combatendo da forma que considerarmos mais astuta. A fim de nos prepararmos para o sítio, podemos ter de abdicar de muitos confortos por algum tempo. Podemos viver sem a maioria das coisas por longos períodos, praticamente sem qualquer coisa, mas não sem a nossa alegria, não sem aqueles sapatos vermelhos feitos à mão

9. Ainda no prefácio, o seu marido sugere o-pulo-do-gato como a arte de manter a mulher, a companheira, como se  o homem estivesse segurando um sabiá: nem muito apertado e nem frouxamente, para evitar machucados e fugas. É por aí?

R: Sem dúvida. Porém, não é bem manter a mulher e sim, a relação. Aristóteles já dizia que se usarmos o meio termo, dificilmente erraremos.

10. A autora do livro “Mulheres que correm com os lobos” menciona a mulher esqueleto, que é jogada fora quando um dos parceiros, ou ambos, não consegue acompanhar seus ciclos de transformação. Seria essa a explicação da epidemia de desencontro que enfrentamos, quando relatos de uma duradoura felicidade conjugal como a sua são raros?

R: Acredito muito na paciência. Hoje, devido à vida agitada e dinâmica que se leva, não há espaço para a paciência. Ela demanda tempo. Hoje as pessoas não tem tempo para nada. Um momento não pode ser considerado uma história e sim, uma parte dela. Tem que se ter paciência para vivenciar mais momentos.

11. Seria possível citar uma experiência marcante das muitas tidas com o animado grupo de vendedoras baianas, mencionado no seu livro?

R: A maioria de nossas vendedoras nunca tinha viajado de avião. Certa vez, após batermos todos os recordes de vendas, algumas delas foram receber os prêmios das mãos do Gerente Geral, em São Paulo. Estavam nervosas e excitadas com a viagem. Era a primeira viagem aérea delas. Avisamos, então, que não se dava gorjeta para as aeromoças, nem se abriam as janelas para ver a vista. A ingenuidade de muitas era comovente.

12. Na sua autobriografia, o patinho, que se considerava feio, transformou-se em cisne. Para quem não teve ainda a oportunidade de ler “O pulo da gata”, como se deu a transformação ? Achar a verdadeira família psíquica e ter a sensação de pertencer a um todo é um bom começo?

R: Essa transformação se deu motivada pela riqueza do meu universo interior que pode ser exteriorizado através de uma psicoterapia muito bem sucedida.

13. O que provoca a presente epidemia de bulímicas, anoréxicas e “panicadas”?

R: A baixa auto-estima.

14. Não é propriamente um tema de psicologia, mas, como cidadã brasileira, como encara as nossas exclusões social e digital?

R: Há duas semanas atrás, reuni na minha pousada um grupo de 20 mulheres, de diversas idades – 20 a 74 e de diferente poder aquisitivo.  Todas inseridas no mercado de trabalho e somente 20% não estavam na era digital. Pasme, não era a de 74 anos! Esta exclusão faz parte do mundo como tal – extremamente masculino. Não é somente um problema das brasileiras, mas das mulheres de países em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos esta discriminação é crime. Todos têm os mesmos direitos.  Ainda chegaremos lá. O importante é saber que muitos caminhos já foram abertos e com certeza, outros mais serão.  Isto só depende de nós, não podemos desanimar!

15. Bahia, Recife, SP, Florianópolis etceteras. Muitas mudanças sem nenhuma reclamação. Qual o segredo?

R: Sou filha de militar. Acostumei-me a encarar mudanças como sendo algo para melhor. Por isso, vou de peito aberto para novas situações.

16. A senhora  curtiu e achou o maior “barato” a lua-de-mel passada em um bordel por falta de reserva no hotel desejado. Chegou a chamar o período de via Láctea ou céu de mel. É natural, de sua parte, bater o cítrico com água e açúcar para a limonada suíça ou trata-se de uma programação prévia?

R: Uma de minhas características é o otimismo. Mesmo nas situações mais adversas, nunca perco as esperanças.  Sempre acho uma forma de me adaptar ao que está acontecendo e, se a situação não for a das melhores, me esforço para não piorá-la. Sou muito condescendente comigo mesmo, não costumo me culpar quando as coisas não acontecem como eu imagino. Muito pelo contrário, “relaxo e gozo”.

17. Como psicóloga, o que acha da assertiva de  Freud (“The future of an Illusion”), segundo a qual a religião é a mais perigosa das ilusões?

R: Adoraria saber sobre todas as colocações de Freud. Mas, ainda não sei. Mas, posso opinar sobre esta sua assertiva. Tudo que você acredita profundamente na área do irreal comandando os acontecimentos, tira o seu poder de reagir e de procurar soluções próprias. Aprendi que muitas coisas podem lhe acontecer apesar de você, porém você é responsável pelo seu livre arbítrio.

18. Com qual corrente da psicologia se identifica?

R: Freudiana.Higiene mental para mim é estar de bem comigo, seja em qualquer plano: espiritual, intelectual ou físico.

19. Quais suas atividades e projetos?

R: Atualmente, atendo os meus pacientes no meu consultório em Alphaville, onde moro. Organizo atividades diversas (Encontro de Mulheres, SPA Light etc.) na minha pousada, em Búzios, Rio de Janeiro e estou acabando de reformar meu novo lar no Rio de Janeiro. Tenho uma confraria interestadual de mulheres ( Confraria da Lilith)  e nos reunimos uma vez por mês.  Saímos para trocar experiências em todos os setores e degustar vinhos.  Dedico-me ao projeto Alfabetização Solidária adotando mensalmente algumas dezenas de brasileiros. E outros pulinhos mais... Pois,  os meus filhos ainda estão todos em casa!

Tenho vários projetos, inclusive um que está me deixando ansiosa: preciso aprender a cozinhar. Na minha nova casa no Rio, projetei a cozinha no meio da sala. Como eu adoro conversar, quero cozinhar participando dos papos. Tenho muita vontade de publicar um livro com as minhas poesias e minhas próprias receitas.  Vai ser delicioso em todos os sentidos! Mãos à massa...

20. Gostaria de acrescentar algo?

R: Sim, agradecer a oportunidade da divulgação do meu livro, pois ele dá dicas e força para que as mulheres possam se sentir melhores. Um beijo para todas da WMulher e um especial para você, Domitila.

Stefi Maerker

Por: Mariana Sayad

“Nunca duvidei que não conseguiria”   
“Gosto do sabor de sucesso da realidade”

Uma mulher que surpreende a cada palavra e que acredita em seus objetivos. Ela foi atrás de tudo de queria, sem medo. Casada e apaixonada há 28 anos, a polonesa Stefi Maeker tem um casal de filhos, sendo que sua filha trabalha com ela... Depois do fechamento da empresa de seu pai, que ela administrava, Stefi com 44 anos, se viu obrigada a recomeçar do nada. Foi, nesse momento, em que surgiu a idéia de montar a SEC - Secretary Search & Training. A SEC é uma consultoria, seleção e treinamento de secretárias.

WM - Como a senhora começou a carreira de secretária? Por quê?

Fazia televisão, desde criança, era de arte, balé, piano e teatro. Vim da Polônia para cá. Balé nem tanto, porque achavam que não era uma coisa para uma menina de boa família. Mas, teatro, desde criança, participei de todas organizações em teatro infantil. Depois fui para a televisão, então, desenvolvi isso como um amor à arte. Tinha uma carreira bem estabelecida, como jovem atriz de novela. Em um determinado momento, achei que não era a carreira que queria seguir, por mais que gostasse dela. Porquê conviver nessas carreira e no meio, não era uma coisa que me convencia. Então, como falava várias línguas,  e tinha uma aptidão normal de organização e de administração, optei pelo secretariado. Achei que ia me dar muito bem e realmente, me dei muito bem. Fui muito feliz enquanto fui secretária. Não me arrependi em momento algum.

WM - Qual a sua formação?

Fiz administração, mas não terminei o curso porque me mudei para Curitiba. Interrompi o curso e não continuei depois. Toda minha visão foi sempre administrativa e de organização.

WM - Por que a senhora não optou pela carreira artística?

O meio não me convinha. Fazia teatro, mas a vida artística não me convencia. Sou muito normal, “pão pão e queijo queijo”. Naquela época, essa vida era de  pernas para o ar e os horários contrários, e, tudo mais. Continuava mantendo minha vida com meus amigos e acabava não entrando no meio. O ideal é que você conviva no meio. Realmente, hoje é uma opção mais tranqüila, mas, naquele momento, era meio chocante. Hoje assisto tudo sem dor e com tranqüilidade.

WM – Há quanto tempo a senhora é casada? Quantos filhos?

Vai fazer 28 anos, em agosto que sou casada com o mesmo marido. Vivemos muito bem. Temos uma relação muito gostosa de companheirismo, de compreensão e de amor. Obviamente, sou a favor do casamento. Tenho dois filhos, um casal. Uma menina de 26 anos (Vivian) que trabalha comigo, é psicóloga e acabou de se casar. Ela me disse uma coisa que me emocionou muito, que, esperava que o casamento dela fosse uma relação tão feliz como o meu era. Tenho, também, um rapaz de 25 anos, está acabando a faculdade de direito e trabalha num banco.

WM - Algum de seus filhos quer seguir a mesma carreira que a senhora?

Na verdade, a Vivian está dando continuidade ao meu trabalho atual. Ela está envolvida desde do início. Convidei-a quando formatei a SEC. É uma coisa que ela se dá muito bem. Ela é uma jovem brilhante, veio para cá ainda estudante. Depois terminou a faculdade e já fez pós-graduação. Cada vez mais, ela tem amadurecido e crescido nesse trabalho. Sei que ela (Vivian) não gosta de matemática e finanças, mas, terá que entender para poder continuar o meu trabalho. Afinal, não vou ficar a vida toda aqui. Na realidade, isso é o que reflete no profissional de hoje, de todas as áreas. Não dá para ficar focado numa coisa só na sua profissão, por exemplo, um administrador de empresas precisa saber de psicologia e um psicólogo precisa saber de administração. Então, ela está passando por esse processo.

WM - Como consegue conciliar a vida profissional com a pessoal?

A vida profissional exige muito tempo, trabalho das 7 às 22 horas, em média. A primeira coisa é trocar a quantidade por qualidade. Temos muito pouco tempo junto da família, mas, esses momentos precisam ser mais intensos. A segunda parte é manter contato de novas formas: por e-mail e telefone. Uma outra coisa é o comprometimento de todas as pessoas envolvidas: marido, filhos e minha mãe. Por exemplo, a minha mãe não me liga durante o dia, porque sabe que sou muito ocupada aqui. Mas, mantenho o contato com ela diariamente e nas atividades de fim de semana procuro levá-la, para não deixá-la sozinha. Ela é viúva e com 85 anos. Quero que ela participe ao máximo. Por exemplo, no casamento da Vivian, ela acompanhou o processo desde o início. Sobretudo, o meu marido e os meus filhos entendem que passo muito tempo aqui. Mas, há uma necessidade de manter os vínculos com a família, acho importantíssimo. Mantemos isso nos momento em que nos juntamos, por exemplo, à noite. Procuramos jantar juntos. Há momentos na semana que sabemos que vamos nos encontrar, então, é um momento de descontração, de drink e de happy hour.

WM - A senhora sofreu algum tipo de assédio ao longo de sua trajetória profissional?

Isso é preconceito, qualquer mulher ficaria sujeita a assédios, porque a idéia que se tinha da carreia de secretária, era que ela tinha que sentar no colo do patrão ou de qualquer um que tivesse por perto. Era uma carreira caça marido, mas, hoje não é mais. Nunca percebi nada, porque nunca dei a mínima liberdade para alguém me assediar. Se quisesse, seria uma cantada e não um assédio. Mantenho um excelente relacionamento com todos meu ex-chefes, hoje são amigos da minha casa e convivemos há anos. Hoje, tenho um grande amigo que trabalho na Câmara Americana, com quem trabalhei há 30 anos atrás. É muito gostoso esse reencontro. O problema do assédio, no sentido de forçar para conseguir uma vantagem sexual, sempre vem de cima para baixo e, não na horizontal, ou seja, dos colegas. Nunca tive problema com isso, mas se me sentisse desconfortável numa situação, caberia a mim escolher continuar nessa situação e correr o risco ou, pedir demissão. Sempre tive uma mentalidade muito aberta e convivo muitíssimo bem com toda a população masculina. Sou muito favorável a ela. Acho que o problema de assédio, em grande parte, as mulheres provocam. Tento trazer isso nos meus treinamentos, abordando que no ambiente de trabalho não se pode ir com umbigo de fora ou com um decote escandaloso. As mulheres não podem transtornar a cabeça de alguém. Ela sempre quer e tem direito de estar bonita, mas, não precisa virar os olhos de alguém para chamar atenção. Ela precisa espalhar ao redor dela uma sensação de bem-estar.

WM -  A senhora foi discriminada, profissionalmente, por ser mulher?

Nunca. Sempre lutei por meu lugar ao sol, com competência e garra. Pelo fato de ter escolhido a carreira de secretária, não tinha isso. Hoje, como profissional, não sinto preconceito por ser mulher. Pelo contrário, acho que me facilita e, talvez, use um pouquinho do charme feminino, mas acho que abro mais portas pela competência profissional do que pelo charme. Desprezo o preconceito profundamente de qualquer espécie. Infelizmente, tenho visto isso, pois a cultura brasileira é preconceituosa com alguns segmentos da população. Tivemos um caso aqui (na SEC), de uma profissional da raça negra, que não quis trazer uma foto, quando pedimos. Ela disse que ninguém ia querer chamá-la quando vissem a foto. Sem a foto tinha a chance de ser avaliada. Infelizmente, ela tem razão. Só senti preconceito na pele, na Polônia, porque tenho descendência judaica. Mas, não levava desaforo para casa e não me abatia por isso, sou o que sou, já está embutido na minha cultura e não largo.

WM -  Quais foram os principais desafios enfrentados até agora?

O principal foi recomeçar a vida aos 44 anos de idade. Era secretária por muitos anos e o meu chefe se aposentou, aí terminei a atividade que estava fazendo. Fui, então, para a atividade do meu pai que era uma indústria. Meu pai já tinha bastante idade e sou filha única. Depois, tive que fechar a indústria. Então, literalmente, me vi no olho da rua, com 44 anos, com uma casa, filhos e a casa dos pais. Estava numa situação bastante complicada financeiramente. Então, já tinha todo o projeto montado e saí com a cara e a coragem. Foi difícil, mas, nunca tive medo, sempre achei que daria. Nunca duvidei que não conseguiria.

WM -  Qual foi o impacto, em sua vida, do fechamento da fábrica de meias de seu pai?

Não gostava daquela indústria e nunca gostei. Difícil de entender, porquê me custou todas as economias de uma vida inteira para poder pagar tudo, para sair com o nome limpo e poder olhar para todo mundo sem dever nada para ninguém. Foi minha opção fazer isso, literalmente, começar do nada, mas, fiquei aliviada. Era um tormento, uma atividade que não gostava. Foi uma das primeiras vezes na vida que me deixei influenciar de alguma maneira. Hoje, sinto um imenso prazer de trabalhar e lidar com as pessoas que lido. De ambientar os escritórios e as pessoas com quem trato, a confiança que tenho de acreditar nas pessoas e de conhecê-las.

WM -  Como surgiu a idéia do SEC?

A idéia da SEC surgiu de um amigo nosso, que sabia dos meus conhecimentos dos dois lados da mesa, ou seja, me conheceu como secretária e depois as minhas atividades empresariais. Então, ele me disse que não tinha em São Paulo um ramo de atividades de ranking de secretárias. Um serviço diferenciado que iria garantir para o cliente a profissional dentro do que ele procurava. Como conhecia a profissão, baseado nisso, e dentro do meu conhecimento empresarial aliado a  essa minha característica empreendedora é que surgiu a idéia de montar a SEC. No começo, foi um trabalho árduo de bater de porta em porta e dizer o que fazia e garantir que era capaz de executar o que eu estava falando. Acho que o maior desafio, naquele momento, era garantir para o meu cliente que seria capaz de realizar o que estava prometendo e, até agora, consegui atingir esses objetivos.

WM -  Foi difícil fazer a empresa crescer?

Foi trabalhoso, nada nasce sem trabalho. Você tem que plantar e levantar de madrugada para ver se não está chovendo e colher as coisas que precisam ser colhidas. É muito trabalhoso, mas você tem que se aprimorar continuamente. Tem que trazer um diferencial no seu trabalho. Hoje tenho dois livros que respaldam o meu trabalho. O primeiro livro surgiu para mostrar a minha experiência no secretariado dos dois lados e minha avaliação dessa relação. Não foi fácil, aliás, é trabalhoso até hoje. Não posso me dar ao luxo de pensar que agora o negócio vai sozinho, é muito arriscado, hoje em dia, nada anda sozinho. Você precisa estar lá, porquê tem muita gente entrando no mercado, então, se não cuidarmos da nossa competência vai surgir alguém melhor.

WM -  Em sua opinião, o que é mais fácil ser empregada ou empresária? 

Fui muito feliz corporativamente, enquanto era empregada e em nenhum momento me perturbou o fato de ser empregada. Hoje em dia, sou uma empresária e estou feliz por ter minha liberdade, o que vem junto com uma responsabilidade muito grande. Existem pessoas que não conseguem dormir, porque deitam a cabeça no travesseiro pensando que na manhã seguinte tem que garantir o sustento de várias pessoas. Consigo dormir com a certeza que serei capaz de garantir o sustento para mim e para as outras pessoas que trabalham comigo. As vezes, você se engana achando que terá um cheque no fim do mês, mas nada garante que o terei, só minha própria competência. São os dois lados de uma mesma moeda. É a competência profissional que vai garantir o seu sustento. Gosto de ser empresária. Em conjunto com a Câmara Americana estou começando a montar um comitê de empresárias. Queremos aproveitar esse momento que estamos vendo o desenvolvimento da mulher no mercado  de trabalho mundial e no mercado brasileiro. É aí que entra o meu segundo livro. As últimas capas de revistas, como a Exame e a Veja, citaram o crescimento da mulher  no mercado de trabalho,  assim como, a divisão das obrigações de casa com os maridos. Essa  visão é um novo desafio.

WM -  Hoje em dia, o que uma secretária precisa para crescer na carreira?

Primeira coisa - ela precisa querer crescer. Precisa ter competência técnica e ser empreendedora. Ela é dona da carreira dela, ou melhor, é dona de uma empresa que se chama Você S.A. Gerenciando bem,  ela vai para frente. Caso contrário, ficará onde está. Não tem jeito, tem que crescer. Ela precisa ter uma visão de longo prazo. Precisa estar sempre se aperfeiçoando, buscando novas ferramentas de trabalho. Ela tem que se envolver na empresa e se especializar de um lado, e, por outro lado, tornar-se  multi-facetária. Com essas características, ela será uma excelente profissional.

WM -  Qual é a sua visão sobre a globalização?

Acho que é inevitável. Não adianta resistir, ela está aqui. Isso me lembra alguns livros, como por exemplo 1984, que hoje, infelizmente, já ultrapassamos  em mais de uma década. Filmes como 2001  Uma Odisséia no Espaço  e todas as outras coisas que achávamos de “outro mundo”, mas não são. Elas estão aqui e muitas outras coisas que não nos damos conta. São as projeções da ciência. A globalização é inevitável, mas, temos que torná-la mais humana e sabermos tirar maior proveito dela. Cada vez mais, a vida irá nos trazer uma noção que vivemos num mundo globalizado. Nós construímos um carro que sai daqui e vai para outros lugares, antes tínhamos carroças. Antes tínhamos artigos de segunda, porque, como consumidores, não reclamávamos. Hoje, fazemos parte do calendário internacional de moda. O que sai de moda lá fora sai aqui também. O mesmo acontece com a informação, o Windows95 saiu no mundo inteiro ao mesmo tempo e o Harry Porter também.

WM -  Quais são os seus projetos futuros?

Tenho um monte. Crescer, sem dúvida nenhuma. Abrir um escritório no Rio de Janeiro. Formatar uma pós-graduação para secretárias. Formatar um novo comitê de mulheres executivas. Só tenho projetos, quando termino um projeto, já estou fazendo outro. Sou naturalmente irrequieta, gosto de atingir meus objetivos, gosto de sentir que cheguei lá, gosto de sabor de sucesso da realidade.

WM -  Atualmente, a senhora está lendo algum livro? Qual?

Leio muitos livros técnicos, para preparar meus treinamentos. Essa é uma lacuna que sinto, porque não tenho tempo de ler livros que gostaria de ler. Adoro ler qualquer coisa que caia nas minhas mãos. Gosto muito de poesia, que é uma coisa que faz bem para minha alma , mas que tenho muito pouco tempo para ler. O que leio é Soul Peter, Peter Druker e assim vai. Na realidade, acho que 90% da minha leitura fica na leitura profissional que me traz um âmbito maior. Gosto de todo o tipo de leitura, só não gosto muito de science fiction. Mas hoje, estou começando a ficar mais interessada porque está ficando muito atual. Como sou imediatista,  ela já me interessa um pouco mais. De vez em quando, pego um poema de Carlos Drumonnd de Andrade e Fernando Pessoa, ilustro muito dos meus treinamentos com pedacinhos de versos.

WM -  Quem a senhora admira, brasileiros ou não?

Várias pessoas. Admiro, por exemplo, a inteligência e sensibilidade da Hillary Clinton. Ela soube virar uma situação a favor dela. Só não sei se essa inteligência e sensibilidade vai virar ganância política. Admiro profundamente a Hebe Camargo, pela competência de se comunicar com as pessoas. Presenciei um programa em que ela se sentou no chão com as crianças, foi brincar e as crianças a encararam com uma igual e, não como um adulto querendo se transvestir de criança. Admiro a minha mãe, apesar de ser pequenininha, tem uma força de vontade enorme e, que, acima de tudo, é a demonstração viva que amor é irrestrito. Tem demonstrado - que apesar de tudo que já passou na vida - quando se trata de família e de amor por sua filha, ela põe tudo para trás e esquece. Nunca deu uma palavra amarga, isso é uma coisa que vou procurar aprender com ela. 

WM -  A senhora tem algum hobby?

Nenhum hobby de fazer com as mãos. Irrito-me se tiver que fazer alguma coisa do tipo. Gosto de ler, gosto de música, gosto de ginástica, de andar e gosto de ver coisa bonita. Não tenho nenhum hobby especifico.

WM -  A senhora tem algum recado final para nossas internautas?
Acho que todos devem buscar, sem usar lugar comum, seus objetivos.

Por: Domitila Farina

Empresária, Joalheira e Designer de Jóias

Eclética, a empresária Nicia Maria Monteiro de O. Alves, conta como a sua rica experiência de vida contribuiu para  criar um atelier de jóias muito especial, que indica para cada mulher, de acordo com o seu biotipo e personalidade a peça ideal. Formada em sociologia, Nicia encara seu trabalho de modo muito especial.  Sábia, deixa uma bela mensagem para todas nós.

1. Como  senhora chegou ao universo das jóias?

Sempre fui uma reacionária. Quis fazer renascer no Brasil a diferença conceitual entre a joalheria e o  atelier. No atelier, o profissional  olha nos olhos do cliente, da pessoa que está buscando uma jóia, para adaptar a peça ao biotipo e ao biopsíquico  dela. Nós somos indivíduos, cada um é um. O comércio de jóias passou a ser uma coisa massificada: vender jóias sem explicar o porquê. Jóia é muito mais do que se pode pensar. O primeiro desenho pictórico que a gente tem conhecimento é o ser humano na caverna. Antes de  estar usando uma roupa, ele trazia um osso pendurado no pescoço. Já faz parte de nossa   herança genética, uma  jóia ser usada  antes mesmo de uma vestimenta.

2.  Artista plástico  e designer de jóias, qual a relação entre eles?

São áreas de trabalho vizinhas. Para mim, o designer só desenharia a jóia e o artista plástico seria o seu criador (responsável também por sua materialização). No meu caso é diferente. Eu desenho uma jóia para um tipo de mulher. Eu me inspiro muito na mulher brasileira, que tem essa mistura de raça maravilhosa. Essa jóia começa no desenho artístico, passa pelo desenho industrial, pelo modelista, que faz a jóia, pelo modelista da borracha, que a coloca em linha de série, e, finalmente, chega à fábrica.

3.  Todo esse cuidado de adequar à jóia a uma mulher específica não a tornaria inacessível, em termos de custo?

Não, porque  tem todo um lado meu de formação como socióloga, a preocupação de gerar um emprego. A jóia tem de ser acessível a todas as mulheres. Nossas clientes são mulheres inteligentes e de bom gosto e que aceitam a opinião de uma pessoa especializada, no caso uma consultora de jóias, que vai falar o que fica melhor para aquele tipo de orelha e biotipo.  Que pode ser um brinco longo ou um brinco de argola. Também, quando a gente tem o atelier, dá tempo de se preocupar em criar jóias voltadas para a saúde. Sou contra, por exemplo,  furar várias vezes a orelha, porque só se pode furar no lóbulo. Quando se sobe para a cartilagem (mais na parte superior da orelha) existe a matemática da miniaturização, da reflexologia. Esses furos extras, fora do lóbulo, poderiam afetar, por exemplo, a coluna, provocando dores e prejudicando a saúde.

4.  Como a senhora trocou a sociologia pelas jóias?

A gente propõe e Deus dispõe...Foi o destino. Acredito que somos a somatória de nossa carga genética, da nossa educação, da infância e juventude das pessoas que nos rodeiam e do espaço geográfico que habitamos. Tive sorte de ter nascido numa família em que a arte é fundamental.

5.  Quando a senhora está criando uma jóia, pensa no mercado?

Acredito que nenhum artista quando cria se preocupa com o mercado.

6.  Qual o papel da Web, do computador, na sua profissão e no seu dia a dia?

Primeiro é assustador, pelo inusitado e desconhecido, e, logo depois, fascinante. Porque, hoje, ao estar sentada em casa viajando na Internet, fico sabendo do que acontece em várias partes do mundo simultaneamente. O computador mostra as várias tendências de moda em todo o mundo. Na Web você toma conhecimento de tudo e ainda troca informações com seus colegas de métier. Só que, em particular, no atelier de jóias e no conceito by  Nicia , a moda passa e o estilo fica. Daí fazermos uma jóia própria a cada um, porque cada um,  cada ser humano, tem o seu estilho próprio.

7.  Qual o conceito das nossas produção e criação de jóias no exterior?

A riqueza do design de jóias brasileiras, fruto esse de nossa mistura de raças e da avançada tecnologia industrial, vem ganhando cada vez mais espaço no mercado internacional. Nós começamos a exportar para os Estados Unidos. Houve uma valorização muito grande de nossas jóias. Tanto que em Londres, hoje, o fetiche são as pedras brasileiras.  Houve também valorização da etnia. Essa troca de informações favoreceu a criação de jóias que valorizam as raças, a natureza,  a ecologia e até mesmo o passado. Por exemplo, temos um brinco que utiliza o ouro branco, um design de fecho muito leve e prático e o cristal de Murano, que é coleção nossa. Só nesse brinco, numa viagem pela Internet, você tem a Itália, a invasão dos turcos, e até Shakespeare, Otelo e Desdêmona.

8.  Qual o seu conselho para aqueles  que queiram trabalhar como designer de jóias?

A observação à natureza é fundamental. Está nela a grande fonte  de inspiração para as grandes criações.

9.  Ser designer de jóias implica fazer uma análise da mulher brasileira?

Brasil é o meu país. Sou uma mulher brasileira e partilho das mesmas coisas. As criações são fruto dessa vivência. Acho a mulher brasileira extremamente bonita pela miscigenação. Mas há ainda muitas coisas a serem aprendidas, no sentido de se valorizar e não precisar usar tanto a sensualidade para se exprimir e poder usar muito mais o amor que ela tem dentro de si.

10.  Como empresária bem sucedida, qual seria a sua palavra para a mulher que está ingressando no mercado de trabalho ou que está enfrentando dificuldades para fazê-lo?

O ser humano é ilimitado. Tudo o que desejamos, nós podemos conseguir. Mas, primeiro, temos de acreditar para depois começar a fazer. Não adianta fazer  mecanicamente. É uma coisa que nasce da alma e do espírito e, só depois, vai se transformar em ação. É de dentro para fora. É importante não ter medo e acreditar sempre.

11.  Como interagem a sua profissão e vida pessoal?

Não há diferença. Não acredito no ser humano profissional, no ser humano mãe. É tudo uma coisa só. Estou na minha casa, estou trabalhando, estou viajando com meus filhos, estou observando, estou criando. Não pode haver esse tipo de divisão. Nós somos um ser único. Onde eu estou, eu estou trabalhando. Interligação já diz tudo. Não consigo me dividir em partes.

12.  Em termos de leitura, qual o seu atual livro de cabeceira?

Estou lendo a Bíblia. Eu nunca tinha lido a Bíblia, tentando entendê-la como estou fazendo agora. É fantástica!

13.  Qual a sua mensagem para as nossas visitantes?

Gostaria de falar uma frase que é o símbolo da minha vida e é daquele livro “Por quem os sinos dobram” (E. Hemingway). Se apenas uma pedra rolar do alto de uma montanha, a face inteira da terra estará se modificando. Por isso, não pergunte por quem os sinos dobram. É por você.

Por: Domitila Farina

Nesta semana, o WMULHER conversa com Lela B. Torre, uma empresária muito bem sucedida na área de roupas infantis. Com fábrica própria e matriz nos Jardins, ela possui 16 lojas distribuídas por mais de sete estados. Como tudo começou? Satisfeita e de bem com a vida, Lela explica passo a passo de sua trajetória. Ela conta como a normalista recém formada e casada, que concordou com o marido em não trabalhar, montou a rede CHICLETARIA.

1. Lela, quando você teve a idéia de criar a marca CHICLETARIA?
Em 1983, meu marido saiu da empresa multinacional onde trabalhava para fazer uma coisa própria. Na época, minha filha com 3 anos de idade pediu para ele montar uma chicletaria, uma fábrica de fazer chiclets. Como eu estava montando uma confecção, iniciada em 77, aproveitei esse nome para a minha confecção. Para mim foi um lugar para fazer roupa com gostinho de chiclet. O nome da primeira loja, na alameda Tietê, em 79, ainda era Maria João. Desde aquela época, posso dizer que passei por várias crises nacionais e mundiais, mas conseguimos sair vitoriosos.

2. Na sua opinião, qual deveria ser o investimento mensal para manter uma criança bem vestida e chique?
Você pode gastar trezentos reais por mês e você vai estar bem com o seu filho.

3. O que você considera uma criança chique?
Uma criança com cara de criança, com visual elegante, mesmo que seja para brincar na areia.

4. Continua sendo um ato de heroísmo ser empresária no Brasil de hoje?
Eu chamaria um ato da mais alta criatividade.

5. Quais os principais desafios de uma executiva bem sucedida como a senhora com lojas distribuídas por SP, RJ, MS,MT, PE, CE e DF?
Quando eu tinha dezoito anos, fiz normal, para ser professora. Eu fui atrás pesquisar como ser uma boa professora. Na época, eu percebi que havia ótimas professoras, mas que eram péssimas pessoas, ou péssimas mães ou péssimas esposas. Eu resolvi que queria ser uma excelente professora, uma excelente esposa, uma pessoa em ordem e uma mãe, que não posso dizer excelente, porque isso é difícil com filhos adolescente (risos). Mas acabei não sendo professora, fui para o ramo de comércio, como empresária, mas eu faço questão disso. Eu faço questão de ter sucesso em todas as coisas que eu mexo.

6. Mas quais seriam os principais desafios enfrentados pelo seu negócio dentro da realidade brasileira?
No meu negócio, o maior desafio foi estar atenta às transformações que vinham acontecendo.
O que eu percebi, o que me fez estar à frente do mercado, foi procurar fazer coisa boa, antecipar os problemas que nós viríamos a ter no Brasil e transformar a empresa em uma empresa sadia para aquele novo momento. Eu hoje atribuo o sucesso da empresa, em termos de lucro, ao fato de ter ficado atenta às transformações. Porque o objetivo de ter uma coisa boa, várias pessoas têm. Conseguir estar no mercado em vários locais, várias pessoas conseguiram. Mas as que conseguiram se transformar rapidamente como a economia pediu são as que acabaram ficando.

7. Qual sua formação?
De normalista, fui fazer a faculdade de economia e, enquanto isso, dei aula. Quando eu me formei, me casei e parei de trabalhar. Era uma época em que mulher não trabalhava e meu marido falou textualmente que mulher dele não trabalhava. Bom, então, eu ainda falei, vou fazer alguns cursos porque eu adorava Piaget, Montessori e coisas da área. E ele falou não, nem curso, porque mulher dele não faria nada disso. Quando eu percebi, eu estava fazendo bazar. Eu fazia artesanato em casa, fazia roupinha, fazia bichos, quadros com figuras, que eu comecei a vender em bazares. Nessa época, há 23 anos, não era comum bazar. Foi uma coisa que a gente começou a colocar no mercado. Quando fiquei grávida de minha filha e junto com a minha cunhada, resolvemos fazer roupas mais atraentes das que tinham no mercado. Foi aí que começamos a confecção.

8. Como você conseguiu fazer o seu marido mudar de opinião sobre mulher casada participar do mercado de trabalho?
Meu marido deve ser muito inteligente. Acho que ele percebeu que para ter a mulher que ele gostava, ele deveria ter a mulher que ele gostava por inteiro, não só a metade. Então, de uma pessoa que não trabalhava, passei a trabalhar fins de semana sem parar e este homem ficou com os filhos em parquinho e em lugares que nem eu acredito que ele tenha ficado. Mas foi assim que nós conseguimos realizar esse sucesso de as empresas estarem bem. Foi assim que conseguimos chegar onde chegamos.

9. Houve diálogo entre vocês dois sobre a sua entrada no mercado de trabalho ou foi a própria prática a responsável por esta finalização?
Eu não me lembro de diálogo explícito: "eu vou trabalhar e acabou". Eu fui devagarzinho. Eu fui fazendo, eu fui vendendo. Eu fiz questão, quando minhas filhas eram pequenas, de fazer a sopa delas, de dar a sopa para elas. Eu só fazia alguma coisa, no horário em que elas dormiam. Eu fui devagar. Embora o trabalho tenha sido grande, eu fazia à noite ou levava minhas filhas comigo nas entregas que tinha de fazer. Consegui dar atenção para as meninas, mas não tirar aquilo que era importante eu fazer. Eu nem percebia que era importante, fazia porque gostava.

10. Voltando à sua confecção, quem desenha as roupas da CHICLETARIA?
A minha sócia Ana e eu. Somos as duas que trabalhamos com o desenho da roupa e com a sua execução.

11. Alguma de vocês tem formação específica para isso ou é um jeito próprio?
Eu acho que é um jeito próprio que nós temos, porque ela fez matemática (risos).

12. Como funciona o quesito moda no setor de roupa infantil?
A moda para criança funciona muito como cópia do adulto. Nós saímos daquela moda européia, onde a criança vestia em qualquer lugar a mesma roupa, para a moda “imitação de adulto”. O que a CHICLETARIA tentou fazer foi uma versão infantil da moda. Nós sempre procuramos fazer uma roupa- cor, que é a tendência, mas nós damos um toque infantil nas cores. Quer dizer, acrescentando cores que possam deixar a criança mais alegre.

13. A CHICLETARIA vai abrir uma loja em Tocantins. Por que a opção de um lugar tão longe do circuito comercial tradicional?
A escolha de loja para a franquia vai depender mais do interesse do franqueado do que do interesse de a CHICLETARIA estar em um ponto de comércio mais ativo.O pessoal de Tocantins nos procurou. Eles faziam o perfil de franqueado e então nós aceitamos fazer (a parceria). A CHICLETARIA, embora queira ter uma lucratividade alta, visa mais do que isso. Ela visa estar em lugares bons com pessoas boas.

14. Qual a sua mensagem para a mulher que trabalha e quer vencer?
A mensagem que eu vou dar é repetindo o que me disse o pediatra das crianças quando elas eram pequenas. Quando eu me senti culpada por usar um pouco do meu tempo para outras coisas além dos meus filhos, ele colocou que o importante era que o tempo que eu ficasse com os meus filhos, eu ficasse realmente com eles. Iria fazer muito bem para eles saber que tinham uma mãe por inteiro. Eu percebi isso com o tempo, que foi verdadeiro. Eu tenho certeza de que as minhas filhas tem o maior orgulho do que eu faço. Não só pela manifestação delas, mas porque a mais velha me disse isso textualmente.

15. Qual a importância da sua carreira para a senhora?
Eu confundo um pouco a minha carreira com a CHICLETARIA. Para mim é mais fácil falar da CHICLETARIA. É uma delícia ter uma empresa, onde várias pessoas participam e participam com sucesso.

16. De que forma ser uma empresária de sucesso, bem sucedida, interfere na sua vida particular?
Eu acho que, sem dúvida, o relacionamento (casamento) ficou mais rico, mais participante. Eu e meu marido conseguimos falar de negócios, sobre flores, natureza, (sobre) qualquer coisa podemos conversar. O mundo de cada um no negócio é preservado, mas ele consegue ser dividido quando nós estamos juntos.

Assistente Editorial: Mariana Sayad

A senadora Maria do Carmo Alves, é de Cedro de São João (Sergipe). Empresária, advogada e foi eleita senadora em 1998.
Foi a senadora Maria do Carmo quem desenvolveu o programa Viva Mulher, um programa de política social e de saúde do governo que visa a prevenção do câncer cérvico-uterino e mamário, além de enfatizar a educação e a medicina preventiva.
Depois de participar dos bastidores a vida política de seu marido, o ex-prefeito de Aracaju, ex-governador sergipano e ex-ministro do Interior, João Alves Filho, ela resolveu se candidatar ao senado para contribuir com o fim da desigualdade social no Brasil.

WM - Qual o maior desafio do seu mandato?

Senadora Maria do Carmo - O que encaro com meu maior desafio é contribuir, de alguma forma, para a redução da pobreza e para tornar o Brasil socialmente justo .

WM - A vida pública do seu marido influenciou na decisão da senhora de entrar na política?

Senadora - A convivência política é, indiscutivelmente, uma grande motivação e aprendizado. Eu sempre participei ativamente dos bastidores e da militância durante os períodos em que João exerceu cargos executivos. A área social sempre me absorveu e estimulou. Cheguei ao Senado, levada pela vontade de Deus e do povo do meu Estado.

WM - A senhora é casada, a carreira atrapalha sua vida pessoal?

Senadora - De maneira alguma. Todos os meus filhos estão criados e encaminhados na vida e no trabalho, deles sempre tivemos o maior apoio e incentivo porque sempre participaram de nossas atividades, tanto na política quanto na vida empresarial. Do meu marido, sempre tive o maior incentivo e estímulo para ingressar na vida pública, onde tenho o meu próprio estilo e sigo o meu próprio rumo.

WM - A senhora tem algum Hobby?

Senadora - Ler e cavalgar.

WM - Como é a sua espiritualidade?

Senadora - Tenho formação e convicção católica. Sou muito ligada às coisas do espírito às quais dou a maior atenção na minha vida. Não tenho preconceito religioso e vejo em futuro próximo uma maior aproximação e entendimento da família cristã tão dividida e isolada nas diversas ramificações em que se dividiu a doutrina, onde Cristo é a única unanimidade.

WM - Na disputa pelo cargo de senadora, a senhora sofreu algum tipo de discriminação por ser mulher?

Senadora - Isto não transpareceu no que pude observar. Disputei o cargo em igualdade de condições e oportunidades com candidatos masculinos, mesmo sendo o meu Estado e o Nordeste um tanto ainda machistas. Mas as pessoas estão passando a valorizar a qualidade do "ser humano", independente de sexo e de cor. Quem votou em mim não votou na mulher, votou em D. Maria ou em Maria do Carmo.

WM - O que é preciso para aumentar a participação das mulheres na política?

Senadora - Apenas que elas saiam da "toca", comecem a participar das reuniões do seu condomínio, das reuniões comunitárias, da reunião de pais na escola dos seus filhos, das atividades do seu sindicato, dos movimentos de interesse social, que participem de um partido político, como o PFL-Mulher, que chamem a atenção sobre as suas idéias e se candidatem a algum cargo político, pois a Lei eleitoral já estabelece uma parcela de 30% de vagas para candidaturas femininas, coisa que os partidos não estão conseguindo preencher porque tem faltado candidatas. Se a mulher quer mudar a sociedade não deve ter medo do poder.

WM - Como a mulher pode se engajar politicamente?

Senadora - A resposta é simples: trilhar a estrada da participação.

WM - Qual a sua opinião sobre a globalização?

Senadora - A versão perversa e radical do socialismo era o comunismo, da mesma forma que a face mais selvagem do capitalismo é a globalização. O comunismo pregava a riqueza do mundo em todas as mãos pelo uso da força, das armas e da revolução do proletariado, a globalização é a riqueza do mundo em poucas mãos. Procuremos humanizar a globalização.
O primeiro estimulava a omissão e a preguiça sob o manto protetor e paternalista do Estado, a globalização incentiva a ambição desmedida do capital e do mercado, portanto o caminho é humanizar a globalização.

WM - Qual a sua opinião sobre a pena de morte?

Senadora - Em princípio não sou a favor da pena de morte porque não acredito na infalibilidade da justiça humana e seus juizes. Os Estados Unidos adotam a pena de morte e não eliminaram a criminalidade e a violência, ainda é o País com maior índice de presos por habitantes.
Antes de apoiar a pena de morte preferia humanizar os presídios e melhorar a educação, a renda, o emprego e a justiça social .

WM - A senhora acredita que o excesso de violência mostrada pela mídia, tem uma parcela de culpa pelo aumento da criminalidade?

Senadora - Não é preciso ser especialista em psicologia ou criminalística para concluir que a banalização da violência e a sua glorificação nas artes, especialmente no cinema e na televisão, como mercadoria de consumo, é uma das matrizes estimuladoras dessa brutalidade potencializada pelo stress da vida moderna e pelos problemas sociais. O sensacionalismo em torno de uma ação violenta é um fermento que gera reação em cadeia.

WM - Qual a sua opinião sobre o aborto?

Senadora - Sou favorável ao aborto legal, nos casos definidos em lei, como conseqüência de estupro, ou quando implique em risco de vida para a mulher. Outrossim não julgo os casos de foro íntimo relacionados com decisões pessoais da mulher. Mas sou contra o aborto como política ou costume de planejamento familiar, especialmente porque na atualidade já existem informações e dispositivos para evitar a gravidez indesejada. O aborto é uma questão complexa que envolve aspectos legais, direitos, ética, religião e não vai ser apenas legalizando a sua prática indiscriminada que vai resolver o problema da mulher da família.

WM - Algum livro de cabeceira?

Senadora - Sim. Tenho sempre um bom livro. Agora estou relendo " O Mundo de Sofia", mas, o de plantão é a Bíblia.

WM - Quem a senhora admira, brasileiros ou não?

Senadora - Irmã Dulce, baiana e Madre Tereza de Calcutá..

WM - Quais são seus planos para o futuro?

Senadora - Seguir a vontade dos que me apoiam, quase metade da população de Sergipe.

WM - Para a senhora qual foi a maior vitória das mulheres nos últimos anos?

Senadora - A maior vitória das mulheres foi, realmente, o direito de votar e ser votada, foi a partir daí, praticamente, que todas as outras conquistas puderam acontecer, surgindo pioneiras em todas as áreas de atividades, tanto na vida pública quanto na iniciativa privada. Depois a conquista da profissão e da escolaridade. Mas foi Constituição Federal de 1988 que consolidou as conquistas presentes e futuras quando estabelece que "homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações".

WM - O que é preciso para acabar com a corrupção?

Senadora - Acabar com a impunidade, com a Lei de Gerson e com o viés da cultura mercantilista de se valorizar a capacidade de consumo de cada um em detrimento de valores éticos, religiosos e morais que devem ser reconhecidos como virtudes na vida das pessoas.

WM - Como o programa Viva Mulher tem ajudado as mulheres?

Senadora - A informação, a conscientização e a valorização de exemplos são fundamentais para a mobilização feminina, assuntos que também são preocupação deste programa.

WM - Senhora tem algum último recado para nossas leitoras?

Senadora - Não aceitar discriminação e se valorizar pelo estudo, pelo trabalho e pela conduta de cidadã com iguais direitos e obrigações dos cidadãos. Não aceitar nem aplaudir ações que desvalorizam a imagem da mulher .

Sobre nós

O WMulher entrou no ar em janeiro de 1998. Foi o primeiro site brasileiro com características de portal focado no público feminino.

 

Fundado pela Flavia Queiroz, logo agregou muitos colaboradores e leitores.

 

Foram muitas emoções vividas ao longo destes 18 anos, com muito diálogo individual com as leitoras, horas e horas de troca de emails e trazendo um conteúdo de qualidade.

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