Isabel Fomm de Vasconcellos

Por: Flavia de Queiroz Hesse

Isabel Fomm de Vasconcellos é uma escritora compulsiva desde a sua infância. Jornalista, fotógrafa, produtora e apresentadora de televisão na área de saúde e sexualidade feminina, é colaboradora assídua e de longa da data do WMulher. Pensadora sobre a condição da mulher na sociedade moderna, ela procura deixar a sua contribuição para um mundo melhor. Nesta entrevista ela fala sobre, Cinema e TV, Livros, Mulheres, Ditadura, Consciência e Realização, Bibliografia


WM: Como a sra. escolheu ser jornalista?
Isabel: Meu negócio é escrever. Ser jornalista veio porque gosto de escrever. Desde criancinha escrevo como uma louca. Então, quando eu tinha uns 15,16 anos eu arrumei um emprego no jornal do meu bairro, o Jornal do Brooklin, que era até um jornal grande.
Eu também sou fotógrafa, então, eu comecei a fazer reportagens comerciais e fotografias para o jornal.
Depois passei para crítica de cinema do jornal, porque eu entrei na faculdade de cinema aqui na Paulista, no Colégio São Luiz e lá, no jornal, eu fiquei muitos anos.

WM: Como a sra.apreendeu o olhar da fotografia?
Isabel: Aprendi com meu pai. Quando criança já aprendi com ele a revelar fotografia no laboratório. Eu inclusive filmava, levava a maquinha para a escola e filmava e todo mundo achava maravilhoso. Imagine só filmar e fotografar naquele tempo..., mas hoje qualquer um com o seu celular filma e fotografa, ainda bem, porque é uma tecnologia muito legal.
Eu fui redatora publicitária. Bom o meu negócio é escrever, não é exatamente o jornalismo em si.

WM: Por que cinema?
Isabel: Eu fui fazer cinema, mas o meu pai me dizia assim, você é idiota em fazer cinema, você tinha que fazer engenharia eletrônica, porque o futuro da imagem esta na eletrônica.
Veja só, meu pai nasceu em 1908, agora me diga como é que ele sabia em 1970 que o futuro da imagem estava na eletrônica? Talvez por causa da televisão.
Ele era autodidata, foi pioneiro de cinema no Brasil. Meu pai tinha laboratório de cinema e foi o primeiro a revelar filmes coloridos na América Latina, antes disso era preciso enviar para o México, para a Kodak, para revelar o filme. Naquele tempo ele construía as máquinas. Ele não inventou nada, mas ele construía as máquinas que ele via nos livros estrangeiros. Ele fazia isso porque não podia importar as máquinas. Ele ficou muitos anos com o laboratório, esse era o lance dele que foi fotógrafo também antes de começar a fazer cinema.

 

Cinema e TV

WM: Como foi a sua transição para a televisão
Isabel: Foi engraçado: eu sempre quis ir para a televisão e tinha um irmão que trabalhava na televisão, mas ele não me levava e na televisão é assim, é tudo “quem indica”. Todo mundo é primo de alguém, sobrinho, neto, filho, atores, diretores. É meio família e sempre foi. Isso vem desde o tempo do rádio. A televisão foi feita pelo pessoal do rádio. Meu irmão não me levava, porque dizia que o ambiente não era propicio para uma menina de família como eu e eu ficava louca da vida porque eu nunca quis ser menina de família coisa nenhuma.

O tempo passou e eu fui trabalhar como marqueteira em grupos médicos. Eu era redatora publicitária. Fazia as duas coisas, trabalhava no Diário Popular e fui trabalhar em uma empresa que atendia grupos médicos, que eram pequenos. Isto foi nos anos 70.
O meu irmão acabou saindo da TV Globo, passou pela Bandeirantes e foi cair na TV Gazeta, que fica aqui ao lado, como a pessoa responsável pela programação da TV Gazeta.
Um belo dia, ele colocou um tapa buraco no ar. Em um sábado de manhã faltou alguma coisa e ele colocou no ar um programa estrangeiro, que era um debate médico, traduzido com legenda. Deu uma audiência brutal.
Então ele ligou para mim e disse que o povo estava interessado em assunto médico e naquele tempo não tinha médico na televisão. O único médico que existia na televisão era o médico cirurgião plástico, que precisava se promover.
Ele perguntou para mim se eu queria produzir um programa médico e eu respondi que lógico que queria e fui produzir o programa médico para ele. Ai, começou tudo e eu consegui vender o patrocínio do programa médico e deu certo. O programa médico dava audiência porque era uma novidade absoluta, mas eu só produzia, eu ficava atrás da tela, mas eu queria ficar na frente dela.
Quando chegou um ano depois eu disse para o Alvan, meu irmão, que eu queria fazer um programa com as mulheres, que queria reunir todas as mulheres organizadas em São Paulo para saber o que elas pretendiam levar para a constituinte, a Assembléia Constituinte de 1987-88, e que queria colocar isto no ar na TV Gazeta.
Meu irmão me falou que se eu arrumasse um patrocínio para o programa ele me colocaria no ar e eu arrumei, nada menos do que a Johnson&Johnson. Ela já tinha me patrocinado quando nossos programas médicos eram com temas de mulher, ginecológicos, e eu tinha contato com a agência deles que colocava anuncio de absorventes íntimos. Via agência eu consegui um patrocínio da Johnson para o programa que se chamou “Condição de Mulher” e lá fui eu apresentar o programa. Lá eu fiquei um tempão, depois eu fui para a Record.
Nos anos 90 sai de lá e achava que não ia mais voltar para a televisão, pois estava novamente com os médicos, fazendo vídeos científicos para a Associação Paulista de Medicina, o que deu certíssimo: nossa videoteca da APM tinha milhares de vídeos espalhados e sempre com o patrocínio da indústria farmacêutica.
Eu falava para a indústria para me pagarem, por exemplo, 3 mil dólares por um vídeo que custava mil dólares porque os outros dois mil dólares eu iria usar para patrocinar os outros dois vídeos que não tinham interesse para a indústria, temas como malária por exemplo. Eu fiz isso durante anos.
Um belo dia meu irmão me liga falando que a TV Morada do Sol, que era em Araraquara estava vindo para S. Paulo, pois tinham um canal UHF aqui, inativo porque eram afiliados a TV Manchete (hoje Rede TV) e para não perder a concessão do canal paulistano tinham que montar a própria rede.
As emissoras da Morada do Sol eram da família Montoro, que abrigou todas as mulheres na TV que tinham problemas na ditadura, como a Hebe Camargo, Cidinha Campos e etc. em sua Rádio Mulher, nos anos 1970. Por isso, os Montoro optaram por criar uma Rede Mulher de Televisão.
Nós fomos para lá e acabamos colocando no ar o mesmo programa médico que fizéramos na TV Gazeta, um programa médico esportivo e o meu “Condição de Mulher”. Fiquei na Rede Mulher 12 anos, que foi o tempo que ela durou. Fiz outros programas, depois transformei tudo em Saúde Feminina, misturando o Condição de Mulher com o programa médico e fiquei sete anos com o Saúde Feminina. Em 2007 a Rede Mulher virou Record News e eu saí.
Novamente, achei que não iria voltar mais para a TV e ai me liga a Rede Bandeirantes de TV e me leva para o programa do Otavio Mesquita para fazer um quadro médico. Mas preferi fazer um quadro de comportamento no sexo e a diretora aprovou e eu comecei a falar de sexo. Eu tinha acabado de escrever o livro “Sexo sem Vergonha” e estava com o assunto bem quente na cabeça e foi indo.
Hoje estou na NGT, com a Hariane Fonseca fazendo o meu quadro de sexo, que eu também falei que não ia fazer mais, pois sempre tem um padre ou pastor que invoca comigo e eu danço.
Eu tinha, nessa época, um programa na radio Tupi que se chamava “Sexo sem Vergonha” e era líder de audiência. Éramos eu e a Simone Arrojo brigando pelo primeiro lugar da audiência na rádio. O programa era ótimo, maravilhoso, só que o meu diretor saiu fui mandada embora, me demitiram por telefone, uma beleza... Acredito que tenha sido porque tinha muito padre ali na rádio Tupi e eles ficavam buzinando na cabeça do dono, tanto que o meu diretor vivia pedindo pra eu não falar isso ou aquilo...

WM: Qual é o seu programa atual na TV?
Isabel: É um quadro no programa “Temperando o Papo”, na NGT, onde respondo perguntas dos telespectadores sobre sexo e também sobre amor, relacionamento afetivo.. Só faço isto hoje na TV aberta. Mas faço também o programa SóSaúde, que já fazia na allTV e agora é veiculado no nosso Portal SAÚDE&LIVROS. Já estamos no programa 396.

 

Livros

WM: A Sra. escreveu muitos livros. Tem algum novo em produção?
Isabel: Publicados eu tenho 12 livros. Mas já escrevi mais de 30. Sim estou escrevendo um que se chama “O Amor Me Esperava em África”, que é um romance de ficção, mas baseado na vida de uma amiga virtual, que ainda não conheço pessoalmente. Ela é psicóloga e foi para a África com o marido e ela vai me contando a história dela e eu romanceio, mudando tudo. Não é a vida dela. Eu me baseio no que ela viveu para escrever uma nova estória e vamos lançar o livro em coautoria. Vai ser legal conhecê-la pessoalmente na noite de autógrafos. Este é o meu 13º livro, se bem que tem um antes, “O Espelho”.
A minha editora tinha marcado para lançar O Espelho em 8 de março de 2013, mas como o mercado editorial está muito ruim até hoje estamos esperando que melhores.... “O Espelho, ou a História Quase Invisível” é um livro muito grande e é um investimento considerável para o editor. Eu nunca investi em livro nenhum e não pretendo começar agora. Se nenhum editor investir em mim, meus livros serão a obra póstuma da Isabel... e paciência.

WM: E a possibilidade de publicar online?
Isabel: Eu sou antiga, para mim livro tem que ser livro. Eu leio muito na tela, inclusive os livros que eu escrevo, eu li na tela. Eu gosto do objeto livro, entendeu? Eu acho que editar online não é a mesma coisa. Eu até fiz ebooks de alguns de meus livros, mas não acho que é a mesma coisa.

WM: Qual é a temática de “O Espelho”?
Isabel: O Espelho é uma estória de ficção, fora do espelho, e dentro do espelho é a história real das mulheres que fizeram diferença no mundo. É um espelho que foi criado em Veneza em 1842 e ele acaba no Brasil no começo de 1900. Uma costureira compra ele, ela é uma modista famosa, e um dia ela vê alguém dentro do espelho e esse alguém é uma mulher que é feminista, e fez diferença no mundo. Então, essa mulher conta a história dela para a costureira, que é personagem principal, e apenas ela consegue ver as mulheres que vão aparecendo dentro do espelho. Depois de muitos anos a filha dela também consegue e muitos e muitos anos depois o bisneto dela consegue conversar com as mulheres do espelho. São mulheres que foram refletidas pelo espelho, então só mulheres a partir de 1842, tanto na Europa como no Brasil. Elas aparecem no espelho, contam sua história e dialogam com esses persongens. São 23 mulheres assim, de George Sand a Leila Diniz, passando pelas feministas famosas, como Emmeline Pankhurst por exemplo.

 

Mulheres

WM: O que a sra acha do feminismo.
Isabel: Bem eu sou feminista a minha vida inteira, pois ouvia a minha mãe falar: “Por que é um direito para eles e outro para nós?”. Então a partir daí já muda a sua cabeça, mas eu não gosto mais do movimento feminista como ele se organiza, porque acho que ele está atrasado.

WM: A sra. acha que a discriminação contra a mulher está aumentando?
Isabel: Sim está, porque esta geração que veio depois da minha é muito mais retrógrada, eles não tiveram a mesma chance de entender o mundo de outra maneira.
Eu fui jovem nos anos 60, então havia uma abertura muito grande nos anos 60 e uma avidez cultural imensa. A gente lia muito e ia muito ao teatro.
Hoje você pega o Facebook, coloca lá por exemplo uma foto minha com meu marido no restaurante ao lado, não sei quantas mil curtidas, “o que casal”, “o que café” etc., ai eu posto um texto maravilhoso, filosófico, de um autor super importante, tem duas, três curtidas. Se o texto for muito bom, cinco curtidas. Então, o pessoal é visual e é fútil, muito fútil.
As pessoas são muito fúteis e depois reclamam que são infelizes. São infelizes porque são fúteis também, porque a futilidade é o máximo da infelicidade.
Nós não viemos ao mundo a passeio. Nós viemos ao mundo, no mínimo, para estudar. Se não conseguir fazer uma diferença no mundo, para estudar e para fazer o mundo evoluir, porque todo mundo vai morrer e ninguém vai ficar aqui para posar para os “selfies” da vida.
Então, eu acho que as pessoas esqueceram tudo isto e que são fúteis, consumistas. Claro que tem um monte de gente que não é fútil consumista, nada disso, mas o geral é isso.

WM: E as mulheres em situação de violência?
Isabel: Violência contra a mulher é um negócio que está debaixo do tapete. 25% das mulheres brasileiras apanham regularmente de seus maridos, companheiros, namorados, amantes, etc. Embora exista a Delegacia da Mulher

WM: Isabel, as Delegacias não são 24 horas...
Isabel: Eu sei, mas já existiram Delegacias da Mulher 24 horas. São Paulo já foi muito mais moderno com relação as mulheres, como nos governos Montoro, Quercia, nos governos do PMDB, hoje tudo andou para trás, mesmo com o Quercia. O grande governador que realmente fez alguma coisa pelas mulheres foi o Franco Montoro.
Era de se esperar que as gerações que vieram depois dele fossem melhor, mas tudo foi regredindo.
Com relação à mulher regrediu barbaridades, porque a própria mulher, como me disse uma, certa vez, no elevador: “Por que você faz programas de TV para as mulheres, se nós já conquistamos tudo?”
É de fato já conquistamos tudo: com a dupla jornada, 30% a menos de salário na mesma função do que o homem e, ainda por cima ainda recebe um tabefe em casa...
Então, as mulheres negam a sua própria discriminação, como negam a sua própria TPM por exemplo.
Tem um monte de mulher por ai dando pancada no filho, brigando com o marido, brigando no trânsito, pois está com TPM, mas não admite que tem ou então que está com depressão, que vira distimia, que vira mau humor, mas ela acha que não tem nada e que é assim mesmo.
Então com relação à saúde e a condição social ainda tem muita coisa para se fazer pelas mulheres.

WM: A sra. tem críticas ao movimento feminista?
Isabel: A minha crítica ao feminismo é que eu acho que nós já estamos no pós feminismo, embora a situação da mulher brasileira, tenha vindo regredindo (em algumas coisas evoluiu e em outras regrediu), já estamos em um pós feminismo, porque este conceito de participar da vida econômica produtiva do mesmo jeito do homem é que esta furado.
O que nós temos que fazer, é mudar o mundo do homem. É levar a nossa contribuição de mundo feminino para o mundo produtivo, para ser um mundo equilibrado, porque por enquanto é só um mundo masculino.

Ditadura

WM: Onde mais a sra. trabalhou?
Isabel: Eu também trabalhei no jornal Diário Popular, que era um jornal muito grande aqui em São Paulo, tradicional, que concorria com a Folha de São Paulo e Estadão e no fim acabou.
Eu escrevi por sete anos no Diário Popular, desde 1977 até 1984, em plena ditadura.
Era uma censura do inferno e quase fui presa. Eu tinha que escrever tudo por metáfora que você não podia dizer nada claramente. Eram crônicas assinadas.

WM: A sra. chegou a ser ameaçada?
Isabel: Os censores foram lá, tiraram o jornal da máquina às 4 horas da manhã, por causa da minha crônica e queriam me prender. Aí, a pessoa que estava lá na oficina ligou para o meu editor, que era o Carlos Acuio. Ele morava perto e foi rapidinho para o jornal. Ele os convenceu de que eu era uma menininha burguesa, boba, e que aquilo que eu tinha escrito não significava exatamente o que eles estavam pensando. Tudo bem, a matéria podia ter essa conotação, mas que eu era uma menininha trouxa, burguesa, toda conformadinha, tudo certinho, minha família certinha e eles engoliram.

WM: A sra. então tomou mais cuidado?
Isabel: Acho que não, acho que fiquei pior, eu fiz metáforas mais inteligentes, tão inteligentes, que ninguém entendia nada! (risos)
Eu lembro uma vez eu fui fazer publicidade na Anhembi, eu já tinha feito a faculdade de cinema e um dia, em uma aula, o professor começou a escrever uma coisa na lousa, eu olhei aquilo e pensei: “espera ai, esse texto é meu”, era uma crônica que se chamava “Guerra Escondida” ,sobre a situação do Brasil, sobre aquilo que estávamos vivendo: uma guerra entre os contentes da ditadura e os não contentes com ela. Era uma metáfora. O professor informou que o texto tinha sido publicado no Diário Popular e que era da colega Isabel que estava na classe e disse que se alguém tivesse alguma pergunta que perguntasse para ela.
A primeira pergunta foi de uma japonesa que perguntou se esse país que eu havia descrito, se ele existia ou se eu havia me baseado em algum país ou se eu havia inventado o país! Então, era mesmo muito difícil de entender.
A seção que eu escrevia chamava-se “Teatro do Cotidiano”. Vários autores escreveram lá, alguns até bastante famosos.
A única certeza que eu tenho é que eu não estou aqui para me divertir, não estou aqui a passeio, claro que isto faz parte, mas o objetivo não é o acúmulo de dinheiro, acúmulo de diversão, acúmulo de droga, acúmulo de atividade física, acúmulo de um monte de coisas.
Nos temos que perceber, se o planeta vivesse como nós vivemos, os recursos já tinham acabado. Não acabaram porque tem um monte de gente que passa fome, vive em choupana, mora na África, um monte de gente que não usufrui de nada disso que nós usufruímos. E mesmo aqui, em nossa cidade, tem um monte de gente que não usufrui de nada disso. Temos que ter essa consciência.
O que esta me incomodando atualmente no Brasil, em São Paulo ou no Rio ao menos, é que nós vivemos para a nossa futilidade e mais nada.


Consciência e Realização

WM: A sra. já recusou fazer algum trabalho?
Isabel: Sim, era para ganhar muito bem, mas era um programa de TV em que não iria contribuir com informações de bom nível para as mulheres. Seria tão frustrante para mim que eu poderia ter uma úlcera de estômago, engordar. O que adianta ganhar muito e ser infeliz? Nós temos que ser fiéis a nós mesmas e as pessoas reclamam, depois, que são infelizes, porque não foram fiéis a si próprias. Elas se deixaram levar por essa ideia de que é o dinheiro que manda, de que ter é mais importante que o ser. O dinheiro muda de mão, vai e volta. Ter dinheiro tem que ser uma consequência do trabalho, do que você faz e do que você contribui para a sociedade, mas não como único objetivo, do tipo “faço qualquer coisa desde que dê dinheiro”. Eu não faço qualquer coisa pelo dinheiro. Nunca fiz e nunca farei. Claro que gosto de dinheiro, como todo mundo gosta. Você tem que achar um jeito de misturar tudo, sem se vender.

WM: A sra. se sente realizada?
Isabel: Eu sou feliz, mas não sou realizada. Eu serei realizada no dia em que eu conseguir viver da minha literatura. Não só dos livros, mas de toda literatura, ou seja, tanto na Internet como nos livros... Eu estou quase chegando lá, porque no Portal SAÚDE&LIVROS tem muita coisa que publico de saúde, dos médicos importantes que lá estão mas tem também, por exemplo as memórias não só as minhas memórias, mas também de São Paulo, do país e de outras pessoas.

WM: Gostaria de deixar uma mensagem para nossas leitoras?
Isabel: Sim. Para as mulheres eu tenho um recado muito especial. É o seguinte: “Solta a franga, minha filha!” . Quer dizer, seja aquilo que você realmente é e não o que a sociedade, a escola, a família, enfim, os outros, esperam que você seja. Seja você mesma. E aí, você vai ver, aí você será feliz.

 

Bibliografia:


Coletânea de Poesias Inéditas, 7 poemas, 1976
Histórias de Mulher, contos, 2000
Os 50 anos da Rosa, romance, 2002
A Menstruação e Seus Mitos, saúde e contos, 2004
Sexo Sem Vergonha, comportamento e contos, 2005
Todas as Mulheres São Bruxas I,comportamento e contos, 2006
Depressão na Mulher, em coautoria com o Dr. Kalil Duailibi, 2007
O Fantasma da Paulista, romance, 2009
Mergulho na Sombra, coautoria Dr. Kalil Duailibi, comportamento e contos, 2011
Todas as Mulheres São Bruxas II, comportamento e contos, 2011
Primeiro Chegam os Anjos, contos de Natal, 2013
O Balão que Emagrece, novela e nutrologia, coautoria Gabriel Nunes, 2014.

 

 

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