Nicia Maria Monteiro de O. Alves

Por: Domitila Farina

Empresária, Joalheira e Designer de Jóias

Eclética, a empresária Nicia Maria Monteiro de O. Alves, conta como a sua rica experiência de vida contribuiu para  criar um atelier de jóias muito especial, que indica para cada mulher, de acordo com o seu biotipo e personalidade a peça ideal. Formada em sociologia, Nicia encara seu trabalho de modo muito especial.  Sábia, deixa uma bela mensagem para todas nós.

1. Como  senhora chegou ao universo das jóias?

Sempre fui uma reacionária. Quis fazer renascer no Brasil a diferença conceitual entre a joalheria e o  atelier. No atelier, o profissional  olha nos olhos do cliente, da pessoa que está buscando uma jóia, para adaptar a peça ao biotipo e ao biopsíquico  dela. Nós somos indivíduos, cada um é um. O comércio de jóias passou a ser uma coisa massificada: vender jóias sem explicar o porquê. Jóia é muito mais do que se pode pensar. O primeiro desenho pictórico que a gente tem conhecimento é o ser humano na caverna. Antes de  estar usando uma roupa, ele trazia um osso pendurado no pescoço. Já faz parte de nossa   herança genética, uma  jóia ser usada  antes mesmo de uma vestimenta.

2.  Artista plástico  e designer de jóias, qual a relação entre eles?

São áreas de trabalho vizinhas. Para mim, o designer só desenharia a jóia e o artista plástico seria o seu criador (responsável também por sua materialização). No meu caso é diferente. Eu desenho uma jóia para um tipo de mulher. Eu me inspiro muito na mulher brasileira, que tem essa mistura de raça maravilhosa. Essa jóia começa no desenho artístico, passa pelo desenho industrial, pelo modelista, que faz a jóia, pelo modelista da borracha, que a coloca em linha de série, e, finalmente, chega à fábrica.

3.  Todo esse cuidado de adequar à jóia a uma mulher específica não a tornaria inacessível, em termos de custo?

Não, porque  tem todo um lado meu de formação como socióloga, a preocupação de gerar um emprego. A jóia tem de ser acessível a todas as mulheres. Nossas clientes são mulheres inteligentes e de bom gosto e que aceitam a opinião de uma pessoa especializada, no caso uma consultora de jóias, que vai falar o que fica melhor para aquele tipo de orelha e biotipo.  Que pode ser um brinco longo ou um brinco de argola. Também, quando a gente tem o atelier, dá tempo de se preocupar em criar jóias voltadas para a saúde. Sou contra, por exemplo,  furar várias vezes a orelha, porque só se pode furar no lóbulo. Quando se sobe para a cartilagem (mais na parte superior da orelha) existe a matemática da miniaturização, da reflexologia. Esses furos extras, fora do lóbulo, poderiam afetar, por exemplo, a coluna, provocando dores e prejudicando a saúde.

4.  Como a senhora trocou a sociologia pelas jóias?

A gente propõe e Deus dispõe...Foi o destino. Acredito que somos a somatória de nossa carga genética, da nossa educação, da infância e juventude das pessoas que nos rodeiam e do espaço geográfico que habitamos. Tive sorte de ter nascido numa família em que a arte é fundamental.

5.  Quando a senhora está criando uma jóia, pensa no mercado?

Acredito que nenhum artista quando cria se preocupa com o mercado.

6.  Qual o papel da Web, do computador, na sua profissão e no seu dia a dia?

Primeiro é assustador, pelo inusitado e desconhecido, e, logo depois, fascinante. Porque, hoje, ao estar sentada em casa viajando na Internet, fico sabendo do que acontece em várias partes do mundo simultaneamente. O computador mostra as várias tendências de moda em todo o mundo. Na Web você toma conhecimento de tudo e ainda troca informações com seus colegas de métier. Só que, em particular, no atelier de jóias e no conceito by  Nicia , a moda passa e o estilo fica. Daí fazermos uma jóia própria a cada um, porque cada um,  cada ser humano, tem o seu estilho próprio.

7.  Qual o conceito das nossas produção e criação de jóias no exterior?

A riqueza do design de jóias brasileiras, fruto esse de nossa mistura de raças e da avançada tecnologia industrial, vem ganhando cada vez mais espaço no mercado internacional. Nós começamos a exportar para os Estados Unidos. Houve uma valorização muito grande de nossas jóias. Tanto que em Londres, hoje, o fetiche são as pedras brasileiras.  Houve também valorização da etnia. Essa troca de informações favoreceu a criação de jóias que valorizam as raças, a natureza,  a ecologia e até mesmo o passado. Por exemplo, temos um brinco que utiliza o ouro branco, um design de fecho muito leve e prático e o cristal de Murano, que é coleção nossa. Só nesse brinco, numa viagem pela Internet, você tem a Itália, a invasão dos turcos, e até Shakespeare, Otelo e Desdêmona.

8.  Qual o seu conselho para aqueles  que queiram trabalhar como designer de jóias?

A observação à natureza é fundamental. Está nela a grande fonte  de inspiração para as grandes criações.

9.  Ser designer de jóias implica fazer uma análise da mulher brasileira?

Brasil é o meu país. Sou uma mulher brasileira e partilho das mesmas coisas. As criações são fruto dessa vivência. Acho a mulher brasileira extremamente bonita pela miscigenação. Mas há ainda muitas coisas a serem aprendidas, no sentido de se valorizar e não precisar usar tanto a sensualidade para se exprimir e poder usar muito mais o amor que ela tem dentro de si.

10.  Como empresária bem sucedida, qual seria a sua palavra para a mulher que está ingressando no mercado de trabalho ou que está enfrentando dificuldades para fazê-lo?

O ser humano é ilimitado. Tudo o que desejamos, nós podemos conseguir. Mas, primeiro, temos de acreditar para depois começar a fazer. Não adianta fazer  mecanicamente. É uma coisa que nasce da alma e do espírito e, só depois, vai se transformar em ação. É de dentro para fora. É importante não ter medo e acreditar sempre.

11.  Como interagem a sua profissão e vida pessoal?

Não há diferença. Não acredito no ser humano profissional, no ser humano mãe. É tudo uma coisa só. Estou na minha casa, estou trabalhando, estou viajando com meus filhos, estou observando, estou criando. Não pode haver esse tipo de divisão. Nós somos um ser único. Onde eu estou, eu estou trabalhando. Interligação já diz tudo. Não consigo me dividir em partes.

12.  Em termos de leitura, qual o seu atual livro de cabeceira?

Estou lendo a Bíblia. Eu nunca tinha lido a Bíblia, tentando entendê-la como estou fazendo agora. É fantástica!

13.  Qual a sua mensagem para as nossas visitantes?

Gostaria de falar uma frase que é o símbolo da minha vida e é daquele livro “Por quem os sinos dobram” (E. Hemingway). Se apenas uma pedra rolar do alto de uma montanha, a face inteira da terra estará se modificando. Por isso, não pergunte por quem os sinos dobram. É por você.

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Flavia Hesse
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