Heloisa Schurmann

Sem medo de mudanças, muito pelo contrário, estando um passo adiante delas, nossa entrevistada desta semana , Heloisa Schürmann, adora uma aventura e em Busca de um Sonho, título do livro que está lançando hoje, ela e sua família largaram tudo para viver dez anos no mar. Heloisa contou como era sua vida antes da grande aventura, como tomaram a decisão e ao contrário do que muita gente pensa, largar tudo não foi fruto de um rompante de um momento e sim o resultado de dez anos de planejamento. No livro ela compartilha essa experiência com os leitores. Foram 118 mil milhas náuticas navegadas, 54 países visitados e muita aventura. Conheça um pouco mais Heloisa lendo nossa entrevista.

WM: Qual é a sua profissão?
Heloisa: Sou professora formada pela New York University e escritora.

WM: O que a sra. fazia antes de mudar radicalmente a sua vida?
Heloisa: Tive uma escola de inglês Centro de Estudos Avançados, em Florianópolis que chegou a ter mil alunos e trinta e dois professores.

WM: Então a sra. lecionava?
Heloisa: Apenas no começo. Logo passei para a administrativa e estratégica da escola. Foi quando eu e Vilfredo passamos a trabalhar em conjunto.

WM: Como nasceu o desejo de ir para o mar?
Heloisa: Foi de uma maneira curiosa, pois tanto eu quanto o Vilfredo nunca tínhamos velejado. Em 1974 ganhamos de natal de minha mãe uma viagem para St. Thomas, no Caribe. Lá resolvemos fazer um passeio de barco e fomos velejar. No instante em que pisamos no barco, ficamos apaixonados. Olhamos um para o outro e resolvemos que era o que queríamos fazer dali em diante. O barco mudou nossa vida.

WM: Vocês então retornaram e como transformaram o “sonho” em prática?
Heloisa: O projeto todo levou dez anos sendo amadurecido, porque as crianças também eram ainda pequenas. Fizemos muita pesquisa, estudamos muito. A medida que o projeto ia progredindo, nossas vidas profissionais iam crescendo. A escola ficava maior, o Vilfredo cada vez tinha mais clientes e trabalho. Aí chegou o momento de tomarmos a decisão e resolvemos partir.

WM: O projeto da viagem previa quanto tempo de duração?
Heloisa: Três anos, mas acabamos ficando dez!

WM: Vocês simplesmente venderam tudo e foram velejar?
Heloisa: Não, alugamos nossa casa e somente depois de passado três anos resolvemos vendê-la.

WM: Como foi essa experiência demudar de uma casa de 400 m2 para um barco de 40 m2?
Heloisa: Foi um grande exercício de desapego. Você tem que se desfazer tudo. Doamos tudo, os brinquedos, roupas, etc. Em um barco só cabe o essencial e o essencial estava lá, a nossa família.
As pessoas têm medo de mudança, pois o estilo de vida tem que mudar.

WM: Quanto tempo durou a primeira viagem? Neste período vocês retornaram ao Brasil?
Heloisa: Partimos em 1984. Foram dez anos. Eu voltei ao Brasil uma única vez, por um mês em 1991. Vilfredo esteve no Brasil rapidamente três vezes por causa de susa mãe e seu pai e em 1991 ficou aqui um mês junto comigo.

WM: Como foi educar seus filhos em um barco?
Heloisa: Como era professora eu mesma fui ensinando as crianças. Os filhos Wilhelm, David e Pierre, na época tinham 7, 13 e 15 anos de idade. Em algumas de nossas paradas maiores eles freqüentaram as escolas locais. Assim foram à escola alguns meses na Venezuela, Tahiti, Tongo e Nova Zelândia. O Pierre após três anos de viagem, ingressou na faculdade nos Estados Unidos e saiu do barco.

WM: O que seus filhos acharam da atitude de vocês?
Heloisa: Nenhum deles tem medo de mudar. O Pierre tem uma empresa de marketing de, a Concectis, associado a uma empresa européia. O David é nosso cineasta e esta preparando um filme-documentário – Um mundo em duas voltas – que será lançado neste ano nos circuitos de cinema o Wilhelm faz Windsurf profissionalmente. Ele coleciona mais de 30 títulos mundiais e neste ano de 2006, ele já conquistou os títulos de campeão norte-americano, campeão europeu e campeão sul-americano.

WM: Vocês fizeram depois mais duas outras viagem, para onde foram?
Heloisa: Na segunda viagem refizemos a rota do grande navegador Fernando Magalhães. Permanecemos dois anos no mar, de novembro de 1997 a abril do ano 2000.
Depois, em 2004, comemorando 20 anos no mar, navegamos pela costa brasileira, de abril a novembro daquele ano. Partimos de Florianópolis e encerramos a viagem em Fortaleza.

WM: A sra. teve oportunidade de atuar profissionalmente nestas viagens?
Heloisa: Nossa segunda viagem, que refez a rota de Fernando Magalhães, já havia muito mais tecnologia disponível. Durante a viagem realizamos um projeto com 2.500 escolas, sendo a grande maioria com escolas públicas dos Estados Unidos, 500 escolas particulares e públicas do Brasil. O projeto era a “Aventura na Educação”. Assim, as crianças podiam acompanhar já pela internet a nossa viagem, aprendendo diversas matérias, como a matemática com a navegação e a geografia por onde passávamos. Era tudo muito interativo. Respondíamos as perguntas das crianças.
Na Espanha escolas foram visitar nosso barco, já que Fernando Magalhães era espanhol.

WM: O lado “educacional” foi um subproduto da aventura?
Heloisa: Sem dúvida. Era algo que não tínhamos previsto. A Unesco recomendou o nosso site e ao todo 44 países se interessaram pelo material. Ocorreu uma enorme expansão.

WM: Como é a relação aventura com tecnologia?
Heloisa: É muito importante. Na primeira viagem não tínhamos quase nada. Na segunda já havia internet. Agora temos GSM, usamos a tecnologia do celular, é muito bom.

WM: Como foi a experiência com sua filha Kat e a convivência com a Aids era impeditivo?
Heloisa: Adotamos a Kat quando ela tinha três anos. Durante 11 anos tivemos a sua companhia. As pessoas se surpreenderam por termos adotado uma criança com HIV. É claro que ela tinha algumas necessidades especiais, mas ela teve uma expansão muito grande e era muito querida e amada. Sua curiosidade e vontade de aprender eram enormes. Ela teve uma vida muito especial e legal. Ela viveu aventuras, deu uma volta ao mundo no veleiro, conheceu 19 países e falava e lia inglês, além do português. Sucesso é palavra de quem vai atrás do sonho.

WM: Por que vocês escolheram Ilhabela para morar?
Heloisa: Ilhabela tem tudo o que é necessário, tanto a vila como o mar.

WM: O que vocês fazem profissionalmente quando não estão viajando?
Heloisa: Fazemos palestras motivacionais para empresas. Os temas são um paraleo entre os desafios de nossa vida no mar e a vida da empresa- . Para um barco e uma empresa navegarem com sucesso é preciso planejamento estratégico, organização, uma equipe comprometida, e a busca da excelência.Tambem realizamos workshops empresariais, - treinamentos a bordo de veleiros oceânicos. A empresa é um barco em alto mar e exige trabalho de equipe, comunicação e performance entre outras habilidadesVários treinamentos são voltados para a melhoria do relacionamento entre os colaboradores. Nossa empresa a “Schurmann Corporate Workshop” tem uma equipe de dez pessoas que nos auxiliam nesse trabalho.

WM:Há alguma viagem sendo preparada? Para onde?
Heloisa: Estamos planejando uma viagem para fim de 2007, inicio de 2008. O local para onde iremos ainda é segredo.

WM: O que a sra. gosta de fazer em seus momentos de lazer?
Heloisa: Adoro ler. Faço meditação e freqüento a academia na Ilhabela, onde pratico exercícios, e hidroginástica na piscina que tem água quente o ano inteiro.

WM: A sra. gostaria de deixar uma mensagem final para nossas leitoras?
Heloisa: Tenha tempo para sonhar. E tenha tempo para realizar seu sonho....

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Flavia Hesse
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